«Estima-se que o biometano possa vir a representar cinco por cento do consumo total de gás natural em Portugal, o que corresponderia a uma poupança significativa de custos com a importação daquele combustível fóssil», salientou Nuno Afonso Moreira, professor da Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro (UTAD), parceira na iniciativa.
A unidade de melhoramento e limpeza de biogás, combustível feito a partir de resíduos orgânicos, como por exemplo cascas de fruta, estrume ou lixo doméstico, foi considerada Projecto de Interesse Nacional e vai nascer em Sermonde, no concelho de Vila Nova de Gaia.
As vantagens são «ambientais», explicou ao «i», o professor da UTAD. A central promete ser uma solução para o problema de integração das renováveis no mercado do gás natural, contribuindo para a meta da Comissão Europeia, de converter em energia limpa, dez por cento dos consumos no sector dos transportes até 2020.
Espera-se que em Sermonde, a partir de 2011, se verifique uma produção de 1,7 milhões de metros cúbicos por ano. Há no entanto uma meta ambiciosa a atingir, correspondendo a 60 milhões de metros cúbicos de biometano por ano, até 2012, o que representa 1,5 por cento do total de gás natural importado.
Com este aproveitamento e tratamento do biogás, poupa-se a atmosfera das emissões de metano em aterros, que são 23 vezes mais nocivas que o dióxido de carbono, mas também das de CO2, «que ocorreriam pela utilização do gás natural, de origem fóssil», explicou Nuno Afonso Moreira.
Considerado «gás natural renovável», o biometano já se consome nos países como EUA, Alemanha ou Suécia.
É de destacar que um metro cúbico de biometano equivale a um litro de gasolina
Prevê-se um investimento
global de 500 milhões de euros no sector e a criação de 1500 postos de trabalho.