Esta quarta-feira era um dia particularmente delicado para ir ao Parlamento, mesmo com a maioria do lado do primeiro-ministro. Os combustíveis acabavam de aumentar pela enésima vez, o Governador do Banco de Portugal revia em baixa o crescimento para 2008 e previa um 2009 difícil, apenas umas horas depois de o Presidente da República ter dito algo na mesma linha, em resposta a más notícias da Comissão Europeia.
Como se não bastasse, na véspera do Dia do Trabalhador uma multinacional mandou mais quatro centenas para o desemprego, notícia que abriu os noticiários da manhã. Para piorar, Alberto João Jardim tarda em avançar e Santana Lopes não sabe o que fazer depois da sua vontade de sair mais ou menos sozinho para um candidatura que ninguém deseja. A um ano das eleições, o PSD parece enfim decidido a deixar de ajudar o governo.
Apesar destas dificuldades e do tom aparentemente
irritado, José Sócrates deu mostras de inesperado sentido de humor. Ao dirigir-se a Francisco Louçã disse, entre outras coisas,
que o deputado do Bloco de Esquerda não «tinha currículo nem idade» para uma coisa qualquer que a plateia (sorridente?) já
não reteve. Um primeiro-ministro capaz de fazer piadas sobre si próprio, eis a última surpresa de Abril.