Veja o vídeo da entrevista
Outras reacções em vídeo
«Foi uma noite de grande emoção. Não dormi», disse ao PortugalDiário este cidadão norte-americano, músico da orquestra da Gulbenkian. Céptico em relação ao seu país, achava que um afro-americano, como ele, não podia chegar à Casa Branca. Durante as primárias chegou mesmo a jogar pelo seguro. «No inicio apoiei Hillary Clinton porque pensei: gosto muito de Barack Obama mas é impossível ele ganhar nos EUA».
André explicou as razões
que lhe alimentavam o cepticismo. «Ainda sou do tempo em que tudo era separado por lei. O casamento entre raças era ilegal.
Restaurantes, cinemas, tudo era separado», disse, recordando depois como sentiu na pele as políticas segregacionistas.
«Só comecei a frequentar escola com crianças brancas aos 14 anos, porque era tudo separado e essa era a lei nos EUA, que, na altura, ainda por cima, dizia ser o país da liberdade. Não era verdade, era uma grande mentira. Não era liberdade para todos», apontou.
O músico considera que o seu país «virou uma grande página» e que «agora a democracia está a funcionar» nos EUA. «Desde os tempos de Martin Luther King até aos nossos dias o país mudou imenso e espero que isso se reflicta em todo o mundo, porque nos últimos oito anos perdemos, a nível internacional, muitos amigos, pessoas que gostavam dos americanos e dos EUA começaram a não gostar, por ver que o país era agressivo, ganancioso».
Estas foram os motivos das lágrimas deste eleitor norte-americano,
que disse ter sentido que o seu voto também contou para a realização de um sonho, quando se deu conta que já nada poderia
afastar Obama da presidência. «Quando finalmente me apercebi que ele tinha os votos suficientes no colégio eleitoral comecei
a chorar, porque realmente pensava que era impossível».