Nicolas Sarkozy falava na abertura da Cimeira da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO), que decorre em Roma até quinta-feira, reunindo chefes de Estado e de Governo do mundo inteiro.
Algumas semanas depois dos violentos motins devido à fome numa trintena de países, estes responsáveis tentam harmonizar as suas posições para encontrar soluções face à subido dos preços, nomeadamente dos cereais.
«É preciso apostar tudo na agricultura dos países em via de desenvolvimento», sublinhou Sarkozy, apelando ao desenvolvimento das «agriculturas alimentares locais».
Na mesma ocasião, o presidente francês criticou os grandes organismos internacionais (FMI, Banco Mundial, Banco Africano de Desenvolvimento), sem os citar, por terem encorajado os países em vias de desenvolvimento a intensificar as suas culturas de exportação (como o algodão), em detrimento das culturas alimentares.
«É preciso ajudar os países mais pobres a dotarem-se de agriculturas modernas que permitam a suficiência alimentar. É a única escolha estratégica possível», afirmou.
«850 milhões de pessoas passam fome (...), não o podemos aceitar. É preciso agir e agir depressa. É preciso duplicar a produção alimentar até 2050, e preservando o planeta», acrescentou.
Sarkozy também apelou ao «desenvolvimento de biocombustíveis de segunda geração», que permitam, «com a mesma superfície agrícola, produzir cinco vezes mais» destes produtos.
Assim, explicou, «reserva-se o máximo de hectares à produção agrícola», frisou.