As palavras de Blair foram servidas à sobremesa de um almoço com dezenas de individualidades de diversos quadrantes, desde a política ao mundo empresarial, entre eles o ministro da Economia, Manuel Pinho, que saudou a vinda do britânico, actual representante do Quarteto para o Médio Oriente, como «um dos políticos mais influentes do nosso tempo» e lhe deixou um convite para regressar e «visitar o maior parque solar do mundo e o maior parque eólico da Europa».
Numa altura em que os mercados internacionais lidam com uma das suas maiores crises das últimas décadas, o antigo chefe do governo britânico (entre 1997 e 2007) aproveitou este desafio como um exemplo de como o mundo actual evolui. «A baixa previsibilidade, incerteza e mudanças rápidas são a consequência de algo muito simples e que é absolutamente irreversível: a globalização está a integrar o mundo e isso significa que os desafios globais devem ter uma resposta global», apontou.
Para Blair, os problemas financeiros como aquele que se vive hoje, a luta contras as alterações climáticas ou questões de segurança como o terrorismo, serão abordadas de forma errada sempre que o forem apenas por parte de um país ou de um bloco regional. «Requerem uma resposta unificada por parte da comunidade internacional», insistiu na receita.
E a estes problemas juntou outros dois, que prevê tornarem-se cada vez mais prementes: a alimentação - «não só o seu preço, mas também a sua disponibilidade» - e a demografia, «que será também crítico em relação às políticas nacionais e internacionais», com o envelhecimento populacional nos países europeus e crescimentos assombrosos em países no Oriente.
Flexibilidade e estado social
Que resposta tem o britânico para estes desafios? «Em primeiro lugar, acho que devemos ser abertos e não fechados na nossa posição política básica», disse, referindo que esta problemática deve substituir a que ocupa hoje em dia o debate dos políticos, que, no seu entender, passam muito tempo a «estabelecer diferenças entre a esquerda e a direita».
Blair apontou também que deve haver uma flexibilidade maior «num mundo em rápida mudança». «Mas deixem-me tornar uma coisa clara», alertou. «Não acredito que a nossa resposta deva ser voltar atrás com as nossas reformas essenciais dos serviços públicos e sistemas de estado social na Europa», frisou, apelando a um investimento na educação, desde o básico até às universidades.
Adaptar-se ou ficar para trás
Relativamente a Portugal, Blair elogiou a aposta nas energias renováveis. Mas deixou um alerta, lembrando que é uma preocupação que está na agenda de todos os governos e que quem não se reajustar permanentemente «fica para trás».
Sobre a UE, salientou ainda a necessidade de articular a diplomacia com uma capacidade de militar mais significativa, assim como tirar partido das alianças transatlânticas. «Se a Europa quer maximizar o seu poder e influência terá de fazê-lo através de alianças fortes».
Num mundo global, Blair não deixou de referir a importância
de responder ao desafio do Médio Oriente, que ocupa maior parte do seu tempo, sublinhando que «sem paz entre Israel e a Palestina
não haverá paz naquela região e sem paz naquela região não haverá paz no mundo». E para isto há que tirar partido da potencialidades
da comunicação - também elas globais - para promover valores comuns.