De acordo com a sondagem sobre os hábitos sexuais dos portugueses (estimados em cerca de 10 milhões de pessoas), realizada através de questionários anónimos e confidenciais, "cerca de um milhão de portugueses (9,9 por cento) revelam ser homossexuais e bissexuais", indica a revista Única do Expresso.
No inquérito realizado a maiores de 15 anos, "sete por cento afirmam ser homossexuais, 2,9 por cento bissexuais e 90,1 heterossexuais".
A revista do Expresso sublinha que "quase dois terços (63,3 por cento) das pessoas contactadas para colaborar no estudo recusaram fazê-lo, o que se trata de uma percentagem anormalmente alta, segundo a Eurosondagem".
"Como consequência desse facto, a maior parte das entrevistas validadas são de pessoas na faixa etária entre os 15 e os 30 anos, o que não tem correspondência com a população residente no país", ressalva a Única.
Apesar das considerações sobre a fiabilidade do estudo, a revista acrescenta que "entre os que indicam a sua orientação homossexual ou bissexual, não há diferenças significativas entre os homens (7,3 por cento e 2,8 por cento, respectivamente) e as mulheres (6,8 por cento e três por cento, respectivamente)".
De acordo com a Única, "estes valores são semelhantes aos de outros países europeus, como a Espanha ou a Grã-Bretanha".
A sondagem revela ainda que mais de metade dos portugueses (52,8 por cento) mantém relações sexuais sem se preocupar com a ameaça da SIDA e que um em cada três (33,5 por cento) nunca usou preservativo.
Segundo a revista, "52,2 por cento dos inquiridos responderam que a ameaça da doença não condiciona (ou condicionou no passado) a sua actividade sexual".
Este é "um sentimento mais assumido pelas mulheres (60,2 por cento) do que pelos homens (44 por cento)".
"Esta atitude de alheamento em relação aos perigos da enfermidade está também presente na resposta sobre o preservativo: um terço (33.5 por cento) dos entrevistados diz que nunca usa, enquanto 28,8 por cento só o fazem em certos casos", acrescenta a Única.
A sondagem sobre os hábitos sexuais dos portugueses revela ainda que pelo menos uma em cada quatro mulheres (27,1 por cento) assume já ter feito uma ou mais abortos (interrupção voluntária da gravidez).
Dessas, "a grande maioria (81,1 por cento) fez a interrupção voluntária da gravidez ilegalmente em Portugal".
Os portugueses mostram-se ainda conservadores no que respeita à adopção de crianças por casais homossexuais (78,4 por cento estão contra essa hipótese) e mais liberal no caso do aborto.
"Quatro em cada cinco inquiridos concordam com um referendo para alterar a legislação sobre a Interrupção Voluntária da Gravidez e três quartos (cerca de 75 por cento) são a favor da descriminalização do aborto", indica a revista.
De acordo com a Única, "16 por cento dos homens recorrem frequente ou ocasionalmente à prostituição, enquanto apenas 0,8 por cento das mulheres admitem fazê-lo e sempre de modo ocasional".
O inquérito foi realizado pela Eurosondagem entre os dias 13 e 20 de Dezembro de 2005, tendo sido feitas 1.980 tentativas de entrevistas.
A amostra atingida, de 726 entrevistas validadas, é composta por 369 pessoas (50,8 por cento) do sexo feminino e 357 (49,2 por cento) do sexo feminino.
O erro da amostra é de 3,64 por cento para um grau de probabilidade de 95 por cento.