Os três responsáveis foram chamados a prestar esclarecimentos
depois de o semanário Expresso ter publicado um trabalho, a 31 de Março, sobre alegadas tentativas de condicionamento
dos media por parte do Governo, em que são citados. O autor do artigo, Nuno Saraiva, e o jornalista do Público, Ricardo
Dias Felner, também foram ouvidos hoje. Na próxima quarta-feira, é a vez do assessor do primeiro-ministro David Damião.
No final da audição de hoje, José Manuel Fernandes, apesar de ter recusado que tivesse sentido pessoalmente pressões
foi taxativo quando à sua existência. «Nas conversas com jornalistas do Público houve alusões a um possível processo
judicial, o que no meu entender é uma pressão ilegítima sobre quem está a escrever notícias porque parte do princípio que
uma pessoa vai violar a lei», disse o director do diário.
Sarsfield Cabral quer mais gente a ser ouvida
Francisco Sarsfield Cabral também disse ter comunicado à ERC a existência deste tipo de pressões, com alusões a processos em tribunal, por a rádio «ter dado eco» à notícia do Público, da autoria de Ricardo Dias Felner, em que foram levantadas dúvidas sobre a licenciatura de José Sócrates.
«Houve uma pressão para que não publicássemos e não transmitíssemos mais [a notícia do Público]», apontou o director de informação da RR, que realçou o trabalho do diário como «jornalismo sério» e defendeu «o direito, e até a obrigação» de o noticiar.
O director de informação da RR defendeu ainda, relativamente às audições da ERC, que não deveriam ser escutados apenas membros dos meios de comunicação que noticiaram a polémica que se prende com o currículo do primeiro-ministro, mas também os que não a noticiaram, para saber se sofreram «pressões».
«Parece que só chamaram aqui os jornalistas que deram a notícia. E se calhar também podiam chamar os que não deram para saber se houve pressões...», concluiu o director de informação da RR.
Director da SIC Notícias fala em «nervosismo perfeitamente natural»
Ao contrário dos responsáveis do jornal e da rádio, o director da SIC Notícias relativizou os contactos que admitiu ter tido com José Sócrates. «A única coisa que eu tenho a dizer é que neste caso específico nem eu nem ninguém na SIC sentiu qualquer tipo de pressão ilegítima para tentar que este caso não fosse noticiado», garantiu Ricardo Costa.
Para o director do canal televisivo «a única coisa que houve de anormal foi um nervosismo excessivo por parte do gabinete do primeiro-ministro». Contudo, este «nervosismo» é visto como «perfeitamente natural». «Não deixámos de publicar nada que não entendêssemos publicar», reforçou, frisando: «Acho que se está a fazer uma tempestade num copo de água».
Quanto aos jornalistas Ricardo Dias
Felner e Nuno Saraiva, preferiram não comentar a audição com a ERC.