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12-04-2007 - 22:50h

Público e RR acusam Sócrates de pressões

Director da SIC Notícias afasta tentativas de condicionamento

Por: Hugo Belezaemailmais artigos deste autor
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O director do jornal Público, José Manuel Fernandes, e o responsável pela informação da Rádio Renascença(RR), Francisco Sarsfield Cabral, apontaram o dedo ao gabinete de José Sócrates, que acusam de ter exercido «pressões ilegítimas» sobre jornalistas dos dois meios de comunicação, relativamente à polémica das habilitações académicas do primeiro-ministro. Já o director da SIC Notícias, que tal como os outros dois também foi ouvido esta tarde pela Entidade Reguladora para a Comunicação Social (ERC), fala apenas em «nervosismo excessivo».

Os três responsáveis foram chamados a prestar esclarecimentos depois de o semanário Expresso ter publicado um trabalho, a 31 de Março, sobre alegadas tentativas de condicionamento dos media por parte do Governo, em que são citados. O autor do artigo, Nuno Saraiva, e o jornalista do Público, Ricardo Dias Felner, também foram ouvidos hoje. Na próxima quarta-feira, é a vez do assessor do primeiro-ministro David Damião.

No final da audição de hoje, José Manuel Fernandes, apesar de ter recusado que tivesse sentido pessoalmente pressões foi taxativo quando à sua existência. «Nas conversas com jornalistas do Público houve alusões a um possível processo judicial, o que no meu entender é uma pressão ilegítima sobre quem está a escrever notícias porque parte do princípio que uma pessoa vai violar a lei», disse o director do diário.

Sarsfield Cabral quer mais gente a ser ouvida

Francisco Sarsfield Cabral também disse ter comunicado à ERC a existência deste tipo de pressões, com alusões a processos em tribunal, por a rádio «ter dado eco» à notícia do Público, da autoria de Ricardo Dias Felner, em que foram levantadas dúvidas sobre a licenciatura de José Sócrates.

«Houve uma pressão para que não publicássemos e não transmitíssemos mais [a notícia do Público]», apontou o director de informação da RR, que realçou o trabalho do diário como «jornalismo sério» e defendeu «o direito, e até a obrigação» de o noticiar.

O director de informação da RR defendeu ainda, relativamente às audições da ERC, que não deveriam ser escutados apenas membros dos meios de comunicação que noticiaram a polémica que se prende com o currículo do primeiro-ministro, mas também os que não a noticiaram, para saber se sofreram «pressões».

«Parece que só chamaram aqui os jornalistas que deram a notícia. E se calhar também podiam chamar os que não deram para saber se houve pressões...», concluiu o director de informação da RR.

Director da SIC Notícias fala em «nervosismo perfeitamente natural»

Ao contrário dos responsáveis do jornal e da rádio, o director da SIC Notícias relativizou os contactos que admitiu ter tido com José Sócrates. «A única coisa que eu tenho a dizer é que neste caso específico nem eu nem ninguém na SIC sentiu qualquer tipo de pressão ilegítima para tentar que este caso não fosse noticiado», garantiu Ricardo Costa.

Para o director do canal televisivo «a única coisa que houve de anormal foi um nervosismo excessivo por parte do gabinete do primeiro-ministro». Contudo, este «nervosismo» é visto como «perfeitamente natural». «Não deixámos de publicar nada que não entendêssemos publicar», reforçou, frisando: «Acho que se está a fazer uma tempestade num copo de água».

Quanto aos jornalistas Ricardo Dias Felner e Nuno Saraiva, preferiram não comentar a audição com a ERC.

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