João Correia, biólogo marinho e membro fundador da Associação Portuguesa para o Estudo e Conservação dos Elasmobrânquios (APECE), concluiu na sua tese de doutoramento «Pesca Comercial de Tubarões e Raias em Portugal» que existe pesca excessiva de tubarões, já que estes chegam em quantidades cada vez menores às lotas.
«Há várias espécies que demonstram sinais claros de diminuição nos desembarques», afirmou o biólogo.
Por ano, João Correia estima que chegam às lotas portuguesas, sobretudo Sesimbra, Peniche e Viana do Castelo, entre cinco a seis mil toneladas de tubarões. Algumas espécies, como o anequim têm visto o seu valor comercial aumentar. No entanto, a maior parte dos tubarões capturados são pescas acessórias.
«O anequim e a tintureira, peixes de superfície, são apanhados como pesca acessória do espadarte, enquanto espécies de profundidade como o barroso, a lixa ou o carocho são pesca acessória do peixe espada preto», explicou o investigador da Escola Superior de Tecnologia do Mar, também biólogo do Oceanário de Lisboa.
O destino dos tubarões é, normalmente, o mercado asiático, onde as sopas de barbatana de tubarão são consideradas uma iguaria e a indústria de peixe processado. João Correia defendeu que é essencial diminuir as capturas e fazer uma gestão sustentável.
«Os tubarões e as raias são peixes de crescimento lento. Têm poucas crias e um período de gestação longo. Se forem capturados em grande quantidade, as populações diminuem imenso num período curto de tempo», adiantou. Quanto à pesca desportiva, João Correia considerou que não se trata de uma ameaça.
Na costa portuguesa, aparecem mais de 30 espécies de tubarões, incluindo o temido tubarão-branco, mas são praticamente inexistentes relatos de ataques. «Os tubarões têm má imagem, mas os relatos de ataques são raros. Acontecem cerca de quatro ou cinco por ano em todo o mundo», referiu o biólogo.
Normalmente, os ataques são reportados em locais como a Califórnia
(Estados Unidos), a África do Sul ou a Austrália. «Nestes locais, há populações de tubarões brancos que se alimentam de focas.
O que acontece é que muitas vezes há surfistas nessas zonas e, vista de baixo, a silhueta da prancha assemelha-se a de uma
foca», justificou João Correia.