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26-01-2003 - 19:53h

Camarate: Fundo de Defesa do Ultramar vai ser investigado

Paulo Portas autorizou investigação

Redacção
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O ministro Paulo Portas autorizou a investigação do Fundo de Defesa do Ultramar, após um pedido da VIII Comissão Eventual de Inquérito ao caso Camarate, que vitimou Sá Carneiro e Adelino Amaro da Costa em Dezembro de 1981.

Fontes do Ministério da Defesa adiantaram à agência Lusa que o presidente daquela comissão da Assembleia da República, o deputado Nuno Melo (CDS-PP), havia solicitado autorização para uma equipa de auditores tivesse acesso ao Fundo de Defesa do Ultramar e pudesse, assim, investigar os seus arquivos.

Esta pretensão da Comissão Parlamentar de Inquérito foi formulada no seguimento de um pedido do advogado da família das vítimas do caso Camarate, Ricardo Sá Fernandes.

Segundo as mesmas fontes, o ministro de Estado e da Defesa proferiu despacho favorável à investigação a 12 de Dezembro último, ordenando que fossem dadas todas as facilidades à equipa de auditores que devem investigar os arquivos do Fundo de Defesa do Ultramar.

A equipa de auditores é composta por três peritos das Finanças, solicitados à ministra da tutela, Manuela Ferreira Leite, que prontamente os designou.

Uma cópia do despacho foi enviada ao presidente da Comissão Eventual de Inquérito, Nuno Melo, que a recebeu a semana passada, e ao chefe do Arquivo do Ministério da Defesa Nacional, tenente-coronel Aniceto Afonso.

Na base do pedido de investigação dos arquivos do Fundo de Defesa do Ultramar pode estar a suspeita, mantida há vários anos por alguns analistas, de que o antigo ministro da Defesa Adelino Amaro da Costa estava na posse de documentos comprometedores para certa classe política quando o avião em que seguia com o então primeiro-ministro Sá Carneiro, entre outros, tombou em Camarate.

A teoria de atentado, até agora rejeitada pela justiça portuguesa, sofreu um revés quando uma Comissão Técnica nomeada pelo Governo manteve no essencial a tese oficial de 1981 da Direcção-geral de Aviação Civil, de que a queda do Cessna ficou a dever-se a problemas técnicos, bem como a incúria do piloto.

Esta nova conclusão, revelada sábado pelo semanário Expresso, está, segundo o mesmo jornal, a causar embaraço no Executivo, tendo o ministro das Obras Públicas, Valente de Oliveira, enviado o relatório a Alexandre Patrício Gouveia, irmão de uma das vítimas, e a Ricardo Sá Fernandes, autor de um livro que defende a tese do atentado.

Este último causídico já criticou publicamente as conclusões deste relatório e, volvidos mais de 20 anos sobre a tragédia de Camarate, a polémica sobre o caso está para durar, dividindo partidos políticos e opinião pública.


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