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02-05-2008 - 23:59h

Desemprego: jovens com futuros adiados

Saem da universidade com um canudo e muitos sonhos, mas a realidade do emprego em Portugal troca-lhes as voltas. Bruno entrou numa das faculdades com mais saída, mas em quatro anos ainda não encontrou um emprego estável

Por: Sara Marquesemailmais artigos deste autor
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  • Desemprego

«Há dez anos atrás, imaginava que aos 27 já estaria casado e com filhos», conta Bruno Almeida ao PortugalDiário, mas a vida trocou-lhe as voltas e apesar de ser licenciado desde 2004, continua a viver com o pai e a «adiar» os planos para o futuro.

Ao terminar o secundário, este jovem portuense não hesitou na altura de escolher o curso. «Escolhi economia por gosto e tendo no Porto uma das melhores faculdades do país, não valia a pena ir para fora estudar». Além disso, Bruno sabia que o prestígio da Faculdade de Economia do Porto lhe podia abrir portas na altura de procurar emprego.

Assim, em 2004, com o curso terminado, começou a procurar emprego. Quase quatro anos e três empregos depois, Bruno está desempregado. «Recebo 11 euros e pouco de subsídio social de desemprego», conta, mas até esta ajuda está a acabar e o jovem mostra-se agora disposto a procurar qualquer trabalho «nem que seja de atendimento ao público numa loja».

Muita ginástica financeira

Trabalhou apenas um ano e nove meses em quase quatro anos. Entre empregos, «aguenta-se» como pode. «Recorro às poupanças que faço quando estou a trabalhar e faço muita ginástica financeira». Bruno conta que o primeiro passo «é cortar nos gastos supérfluos». «Dantes ia duas vezes por semana ao cinema, agora vou 10 vezes por ano». É que, além de tudo, o jovem recorda que «há descontos para estudantes mas não há para desempregados». Comprar roupa, jantar fora, sair à noite foram outras actividades de que desistiu ou que raramente faz.

«Ou era isto, ou voltar a depender dos pais», e isto Bruno Almeida não quer. Adiado fica para já o sonho de sair de casa. «Moro com o meu pai e pago todas as minhas despesas, mas ainda não dá para pagar uma renda», conta com pena visível de não poder ter a tão desejada independência financeira.

Mas garante que tenta não comparar a realidade desta fase da sua vida com as expectativas que tinha, «senão entrava numa espiral de depressão. «O melhor», explica, «é adequar os sonhos e planos para o futuro às circunstâncias actuais».

«Não é emprego, é escravidão

Até agora, Bruno foi resistindo a optar pelo apelo dos call centers e dos trabalhos temporários. «Conheço pessoas nessas circunstâncias que ao fim de três anos ainda não tiveram um dia de férias. Isso já não é emprego, é escravidão». Mesmo assim, as coisas não correram bem. Quando terminei o curso fiz um estágio em que recebia 500 euros, mas que ficava a 40 quilómetros de casa. Só em gasolina, portagens e refeições gastava 300 euros. Quase pagava para trabalhar», conta o jovem.

«Além disso, a situação não era muito legal, nem papéis tinha», por isso, desistiu. Desde então, teve mais dois empregos: um contrato a termo, um de um ano, a ganhar cerca de 900 euros líquidos por mês e outro de seis meses a ganhar 560 euros.

Como economista, Bruno reconhece que «a situação também não é fácil para as empresas. É mais fácil e barato manter vínculos precários com trabalhadores com menos experiência, mas mais baratos».

Bruno vai mantendo a esperança de encontrar um emprego. «O que tem acontecido, é estar uns meses sem trabalhar e depois aparecem dois ou três empregos ao mesmo tempo». Até lá, vai continuando a adiar sonhos.


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