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24-02-2003 - 12:23h

Bernardino, o ortodoxo

Líder parlamentar do PCP crê que Coreia do Norte é uma democracia. E promete querer rejuvenescer o partido

Redacção
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«Tenho dúvidas que a Coreia do Norte não seja uma democracia». É assim que o mais jovem líder parlamentar do PCP, Bernardino Soares, vê o regime de Pyongyang, em entrevista ao Diário de Notícias.

E não tem mais certezas porque tem «muitas reservas em relação à filtragem da informação feita pelas agências internacionais», diz.

Já sobre Cuba o líder parlamentar comunista tem poucas dúvidas. «Em Cuba há uma intensa participação da populção na vida política e esse povo tem tido uma luta heróica contra os desígnios norte-americanos que o faz enfrentar um embargo de várias décadas, por vezes criminoso».

Bernardino Soares acha que há liberdade de expressão naquele país e exemplifica: «Aqui há uns tempos vi um líder da oposição dar uma entrevista, no seu pátio em Havana, a uma cadeia de televisão internacional, dizendo que não havia liberdade de expressão. O exemplo fala por si».

Sem exemplos, mas com convicções, o deputado diz desconhecer prisioneiros políticos: «Não tenho conhecimento». E mais à frente: «Julgo que não há presos políticos em Cuba».

Sobre a vida interna do PCP, o seu líder parlamentar diz que o partido lidou «o melhor possível» com as «ofensivas» dos renovadores, pese embora a «campanha» ter prejudicado muito os resultados eleitorais. Afinal, as «críticas e ofensivas» conduziram «a um clima insuportável». Mas o deputado de 31 anos não rejeita o rejuvenescimento dos comunistas - sem abandonar princípios.

O discurso sobre o 25 de Novembro é certamente um desses "princípios". Como diz Soares, aquele movimento «pôs fim a um percurso revolucionário que vinha sendo feito desde Abril, de avanços inegáveis para a vida das populações. Foi, por isso, uma contra-revolução que veio parar esse processo positivo, amplamente participado e com um grande dinamismo. Sem dúvida que até ao 25 de Novembro conquistaram-se muitas das coisas que deixaram marcas profundas de progresso na sociedade portuguesa», assegura.

Soares, soube-se já esta segunda-feira, pediu à última hora ao Diário de Notícias para que a entrevista não fosse publicada. Segundo o líder parlamentar do PCP, «os temas abordados não corresponderam às suas expectativas».

A direcção do jornal bem como o seu Conselho de Redacção manteve a publicação da entrevista.


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