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Pedofilia: sexo, festas e drogas

Cidadãos estrangeiros que gostam de miúdos procuram Portugal. E divulgam «paraíso»

Por:
/ e Patrícia Pires    |   2003-05-15 18:00

O processo do cidadão britânico Michael Burridge (Mike), julgado e condenado pelo Tribunal de Oeiras, revela a existência de redes pedófilas internacionais a actuar em Portugal. Há cidadãos estrangeiros que compram casas no país e as usam para praticarem este crime.

Fazem filmes pornográficos, fotografias de idêntica natureza e divulgam o nome de Portugal como um «paraíso» aos amigos. Uma «dimensão» que assusta, mas que fica clara nos testemunhos e nos "e-mails" trocados entre «amigos».

O processo do Tribunal de Oeiras, que o PortugalDiário acompanhou e investigou, permite perceber que as redes internacionais de pedofilia passam por Portugal.

Leonard Marck Weschler e Stephen Frederick Thacker são dois dos nomes que surgem no processo de Oeiras e que estão a ser investigados pelas autoridades por suspeita de abuso sexual de menores [ver notícia relacionada: «Casa Pia: três novos processos»].

Durante as investigações foram várias as testemunhas que referiram a moradia de Stephen Thacker, perto da Ericeira, como o local perfeito para as festas. Além de ser afastada de olhares indiscretos, tinha uma piscina. Onde «rapazes e adultos» se juntavam «todos nus». E, onde também se realizavam «filmagens» de práticas sexuais.

O uso de drogas, antes das festas na piscina, também é descrito pelos próprios adolescentes que participavam nos encontros e festas.

As residências de Leonard Weschler e Stephen Thacker foram mesmo sujeitas a buscas pela Polícia Judiciária. Nessas operações foram encontradas várias máquinas fotográficas e de filmar que seriam utilizadas para fazer filmes com os adolescentes ou compor álbuns com os mesmos jovens.

Aliás, foram também encontrados mais de uma dezena de álbuns com imagens de rapazes nus, sozinhos ou em grupo, e em poses provocadoras.

Weschler tinha, pelo menos, duas casas conhecidas: uma moradia em Cascais e outra próxima do «amigo» Stephen, na Ericeira. Aliás, «Leo», como era conhecido pelos jovens, tem o seu nome ligado a dois dos três processos sob investigação.

Tal como o PortugalDiário noticiou em Abril deste ano, Stephen ainda reside na sua casa da Ericeira, mas «Leo» viajou para os Estados Unidos em 2000. Data em que teve conhecimento da investigação ao seu amigo «Mike».

Mas há outros nomes «estrangeiros» no processo de Oeiras e que não estão a ser investigados, apesar de serem conhecidos das autoridades portuguesas e internacionais: Jean Pierre Roffi e Alexander Horvath. Este último foi condenado pelos tribunais nacionais no fim da década de 80 a um ano e meio de pena suspensa. O actual paradeiro de ambos é desconhecido.

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EM BAIXO: Casa Pia
Casa Pia

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