«É urgente tomarmos medidas para terminar com esta democracia envenenada onde se entende que toda a classe política é corrupta. O projecto de João Cravinho [dois projectos-lei para o combate à corrupção] é inadiável, a lei penal tem de ser mais rigorosa para o enriquecimento ilícito», começou.
A eurodeputada considerou que qualquer «político tem de provar o seu dinheiro limpo», porque «os portugueses sabem que as pessoas sérias não tem dificuldade em fazer prova de onde vem o seu dinheiro».
Neste sentido, Ana Gomes referiu-se (in)directamente ao caso Freeport, apontada uma «campanha de ataque político e pessoal ao primeiro-ministro a pretexto de uma investigação judicial de corrupção».
Por isso, a socialista defendeu que «enquanto não tivermos meios de punir a corrupção, a suspeita paira sobre todos», criticando «o circo em que se transformou o segredo de justiça, sobretudo na fase de inquérito dos casos mais mediáticos».
«Actuemos já. De outro modo, os culpados continuarão impunes. Persistirá a roubalheira e a desconfiança nos políticos», prosseguiu.
Crise, offshore e o Tratado de Lisboa
Ana Gomes criticou ainda «as soluções milagrosas para a crise» que os partidos «à nossa direita e à nossa esquerda» querem fazer crer que existem. «Não bastam ao Governo as deduções fiscais, importa repensar o sistema tributário, o capital e controlar as offshore, os paraísos fiscais que existem, incluindo na Madeira», disse, ouvindo o maior aplauso da tarde.
«Não podemos deixar de sentir vergonha na desigualdade que existe em Portugal comparada com o resto da Europa. E quem mais sofre são as mulheres. Para além do combate à violência doméstica, precisamos de inspecções, de polícias e tribunais com punições exemplares», continuou.
A eurodeputada fez questão de
terminar com uma referência ao Tratado de Lisboa, «sem o qual é mais custoso ultrapassar esta crise global».