De acordo com a agência noticiosa, em comunicado, a direcção nacional do partido liderado por Manuela Ferreira Leite considera «lamentável que a Direcção da Agência Lusa ainda não tenha explicado os motivos pelos quais decidiu oportuno questionar a opinião dos partidos políticos espanhóis em relação a uma matéria que apenas diz respeito à política interna portuguesa».
«Não há memória de na democracia portuguesa a agência de notícias pública, financiada pelo Estado, decidir questionar partidos políticos estrangeiros sobre uma matéria que apenas diz respeito aos portugueses», adianta o comunicado.
A direcção nacional do PSD acrescenta ainda que «menos ainda se entende que a questão tenha sido colocada em contraponto à opinião expressa por um partido português na oposição relativamente a um assunto de política interna».
«Acusação grave, falsa e profundamente injusta»
Contactado pela Lusa, o director de Informação da agência, Luís Miguel Viana disse não reconhecer «a nenhuma liderança política ou partidária competência para discutir critérios editoriais».
Sobre a notícia em particular, recordou que «Portugal tem com Espanha acordos sobre a alta velocidade, agendados para discussão na Cimeira luso-espanhola, no próximo dia 21, os quais ficarão em causa se for seguida a opção política da presidente do PSD e candidata a primeira-ministra. Nesta medida, é relevante ouvir os principais partidos espanhóis sobre a questão», acrescentou.
«Ao contrário do que afirma o PSD, é muito comum os media portugueses ouvirem opiniões de partidos e políticos estrangeiros, nomeadamente europeus e de língua oficial portuguesa, sobre questões que, estando no centro do debate político em Portugal, cruzam-se com esses países por motivos políticos, económicos ou sociais».
Na sexta-feira, Manuela Ferreira Leite acusou a agência Lusa de ter enviado propositadamente, a Espanha, a mando do primeiro-ministro, um jornalista para «ouvir os socialistas espanhóis» sobre as declarações que proferiu sobre o TGV, em que referiu que num governo do PSD o investimento não teria lugar.
A agência
Lusa respondeu que as notícias foram feitas pelo seu delegado em Madrid e em que foram ouvidos os partidos Socialista e Popular,
considerando tratar-se de uma «acusação grave, falsa e profundamente injusta».