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18-10-2008 - 10:41h

Revolução de Abril «falhou na justiça social», diz Freitas

«Portugal é hoje o país da Europa ocidental com maiores desigualdades sociais, com maior percentagem de pessoas a viver abaixo dos mínimos internacionalmente aceites», explica

Por: Redacçãoemailmais artigos deste autor / - LM
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  • Freitas do Amaral

A Revolução de Abril de 1974 fez Portugal «progredir em três décadas tanto como a generalidade dos países europeus em cinco ou seis decénios», mas falhou na justiça social, argumenta Freitas do Amaral num novo livro de memórias.

O diagnóstico do professor de Direito Diogo Freitas do Amaral é feito no prefácio do seu segundo volume de memórias políticas, «A Transição para a Democracia», que chega às livrarias na próxima segunda-feira e a que a Agência Lusa teve acesso.

Embora reconhecendo que o país evoluiu muito nos últimos 34 anos, o ex-ministro de Estado de José Sócrates e ex-líder do CDS traça um retrato demolidor do estado do país do ponto de vista social.

«Portugal é hoje o país da Europa ocidental com maiores desigualdades sociais, com maior percentagem de pessoas a viver abaixo dos mínimos internacionalmente aceites, com mais elevado grau de injustiça fiscal, com maior número de habitantes a viver em barracas, nomeadamente nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, e com uma total desprotecção do Estado em relação às famílias afectadas pelo drama das doenças mentais incuráveis», escreve o professor.

Para Freitas do Amaral, esta é uma situação «inaceitável» e totalmente incompatível com o ideal democrata-cristão que defendeu ao longo da sua carreira política. «Será tudo isto compatível com uma sociedade de inspiração socialista ou social-democrata?», questiona, para responder logo a seguir, sem esconder o desencanto: «Pelos vistos, é».

A constatação de que as coisas não estão bem do ponto de vista social não retira, no entanto, o optimismo ao professor de Direito, que confia na capacidade da nova geração de políticos para alcançar três objectivos alegadamente falhados pela Revolução: manter um crescimento económico acelerado; melhorar a qualidade do ensino básico e secundário; e sobretudo combater a pobreza e reduzir as desigualdades.


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