O diagnóstico do professor de Direito Diogo Freitas do Amaral é feito no prefácio do seu segundo volume de memórias políticas, «A Transição para a Democracia», que chega às livrarias na próxima segunda-feira e a que a Agência Lusa teve acesso.
Embora reconhecendo que o país evoluiu muito nos últimos 34 anos, o ex-ministro de Estado de José Sócrates e ex-líder do CDS traça um retrato demolidor do estado do país do ponto de vista social.
«Portugal é hoje o país da Europa ocidental com maiores desigualdades sociais, com maior percentagem de pessoas a viver abaixo dos mínimos internacionalmente aceites, com mais elevado grau de injustiça fiscal, com maior número de habitantes a viver em barracas, nomeadamente nas áreas metropolitanas de Lisboa e Porto, e com uma total desprotecção do Estado em relação às famílias afectadas pelo drama das doenças mentais incuráveis», escreve o professor.
Para Freitas do Amaral, esta é uma situação «inaceitável» e totalmente incompatível com o ideal democrata-cristão que defendeu ao longo da sua carreira política. «Será tudo isto compatível com uma sociedade de inspiração socialista ou social-democrata?», questiona, para responder logo a seguir, sem esconder o desencanto: «Pelos vistos, é».
A constatação de que as coisas
não estão bem do ponto de vista social não retira, no entanto, o optimismo ao professor de Direito, que confia na capacidade
da nova geração de políticos para alcançar três objectivos alegadamente falhados pela Revolução: manter um crescimento económico
acelerado; melhorar a qualidade do ensino básico e secundário; e sobretudo combater a pobreza e reduzir as desigualdades.