Os dois políticos portugueses, governantes em Portugal à data da votação, foram citados no discurso do Presidente timorense, Ramos-Horta, na cerimónia que assinalou hoje de manhã em Díli os dez anos do referendo. «Agradeço-lhe, Jaime Gama, a sua paciência inesgotável, a serenidade perante a adversidade e a sua grande capacidade como diplomata», disse o Chefe de Estado timorense.
«O Estado vai distingui-lo esta tarde com a Ordem de Timor-Leste, conjuntamente com o antigo primeiro-ministro de Portugal, António Guterres», anunciou.
Ambos assistiram este domingo, com o actual ministro dos Negócios Estrangeiros português, Luís Amado, à cerimónia dos dez anos da consulta popular, que decorreu no novo palácio presidencial Nicolau Lobato, em Díli, um evento dominado pelo discurso do Chefe de Estado timorense.
Ramos-Horta também prestou tributo ao ex-ministro dos Negócios Estrangeiros da Indonésia, Ali Alatas, «um adversário formidável, encantador, cativante, com uma energia inesgotável», desaparecido no ano passado, e que assinou com Gama os acordos de Nova Iorque, a 5 de Maio de 1999, desenhando o modelo da consulta popular, realizada cinco meses depois.
Ao longo do discurso de cerca
de uma hora, o Presidente timorense falou em português, inglês e tétum, mas não se referiu ao problema linguístico de Timor-Leste,
onde convivem várias línguas e dialectos na administração pública e no dia-a-dia da sociedade civil.