Numa declaração após reunião com a Comissão Política, Menezes garantiu que não está na corrida para as directas, que serão agendadas para 24 de Maio.
Da sede do partido, e sem que os jornalistas tivessem direito a perguntas, Menezes rumou a Sintra, para o jantar de tomada de posse da concelhia. A notícia já tinha corrido célere e o espaço foi enchendo com a chegada de mais militantes, que desafiaram o mau tempo e os acidentes no IC 19, para saberem mais sobre esta inesperada demissão.
Menezes não defraudou as expectativas e voltou ao palanque para fazer um longo discurso sobre o estado do país e a governação de José Sócrates, acabando por falar no estado do PSD.
«Só pensam no seu umbigo, nos seus privilégios»
E se ainda
persistissem dúvidas sobre o porquê deste bater com a porta, depois da declaração na São Caetano à Lapa, na qual garantiu
«estar farto», o líder social-democrata foi claro: «Era escusado ter chegado a isto. Foi por causa de meia dúzia de pessoas
sem responsabilidade, que só pensam no seu umbigo, que se estão marimbando para se ganham ou não as eleições, que só pensam
nos seus privilégios» que há novas eleições, a interromper a sua liderança.
Esta «meia dúzia de iluminados» têm
«dilacerado» o PSD «com guerras estéreis e inconsequentes». Agora, garante, só «depende do partido, dos seus militantes e
dirigentes» ganhar as eleições em 2009. «Mas não se pode voltar atrás». «Tudo farei para que os militantes debatam e se empenhem,
quem quer que seja o candidato».
PSD continua à procura do «D. Sebastião»
Neste discurso, o líder demissionário insistiu na ideia de que os críticos internos são «iluminados»: «Por mais que custe à nossa idiossincrasia partidária, não existem líderes iluminados, nem tocados pela mão do divino». E «enquanto o PSD não se consciencializar disto e continuar à procura de um D. Sebastião, que nunca existiu nem nunca existirá, nunca será solidário com um líder de circunstância».
Reafirmou que não está nesta corrida, mas garantiu que vai «honrar os compromissos até ao fim». «Vou estar com os militantes, nas iniciativas para que me convidarem e vou distribuir propaganda e falar com as pessoas, como sempre fiz, coisa que os iluminados nunca fizeram».
À semelhança da conhecida frase de Santana Lopes quando abandonou a liderança - «vou andar por aí» - também Luís Filipe Menezes parece disposto a continuar à frente do PSD, e com esta decisão-surpresa clarificar as «contrariedades internas», cuja gota de água saiu esta quinta-feira na revista Visão, com uma entrevista ao deputado Aguiar Branco, que se diz pronto para defrontar José Sócrates.
Porque a frase «não estou na corrida» poderá significar que nela não queira entrar mais tarde, as palmas ouvidas no jantar desta noite, em Sintra, quando Menezes criticou com veemência a oposição interna, podem ser a «vaga de fundo» que o líder demissionário queira ver bem alta para ser, de novo, candidato em eleições directas. Ao PortugalDiário, alguns dirigentes não têm dúvidas de que a certeza desta quinta-feira ainda pode mudar e Menezes pode voltar a ir a jogo.
Em tom de desafio, na declaração aos jornalistas na sede do partido, quando anunciou
o abandono da liderança e a convocação de eleições, Menezes avisou que «é chegada a hora de os críticos de sempre estarem
na batalha; todos aqueles que indiciaram que podiam ser bons líderes e bons candidatos a primeiro-ministros, é chegada a hora
de se afirmarem: não há desculpas».