Tal como é possível confirmar no vídeo associado, Ana Jorge confunde-se, deixando perceber que não sabe em que país fica Praga: «Pensava-se que eram na ordem dos 700 [alunos portugueses de Medicina no estrangeiro]. Estamos na Checoslova... na Eslováquia neste momento, que é Praga. E depois em Espanha temos em várias universidades. Aliás, tivemos uma reunião esta semana, a semana passada, com o ministro da Saúde espanhol e falámos disso, da identificação e ele ajudou-nos um pouco a identificá-los. Temos a Inglaterra, que talvez seja o local onde estão mais, que eu saiba».
Como é sabido, a Checoslováquia separou-se em República Checa e em Eslováquia há mais de uma década (1993), sendo que Praga é a capital da Rep. Checa e Bratislava da Eslováquia.
Combater os «mercenários»
Estão já em curso negociações com as universidades, que manifestaram interesse em acolher estes alunos portugueses, o que deverá acontecer no próximo ano lectivo. O objectivo é que estes estudantes, depois de tirarem o curso, fiquem a exercer em Portugal, uma vez que quando o fazem no estrangeiro e tentam trabalhar nas instituições portuguesas são penalizados no reconhecimento do curso, o que a tutela está a tentar resolver.
O Ministério pretende ainda reforçar a «importação» de médicos do estrangeiro. Do Uruguai chegaram já 15, que estão a trabalhar no Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), estando prevista a chegada de mais 20. De Cuba deverão vir 40, por um período de três anos e para exercerem nos locais onde «há mais dificuldade em colocar médicos», especificou Ana Jorge. Portugal irá ainda acolher médicos do Chile, que chegarão para fazer a sua especialidade durante cinco anos.
A aposta passa por uma nova definição de carreiras, cuja proposta deverá seguir «dentro de dias» para os parceiros, depois de analisados os seus contributos. Até lá, Ana Jorge lamenta que existam no sector verdadeiros «mercenários» que tenham optado por dar «prioridade ao dinheiro», numa referência aos médicos que só trabalham através de empresas privadas, assegurando sucessivos bancos de urgências em várias instituições e por todo o país.
«Chamo-lhes mercenários», disse a ministra, lembrando que a tutela regulou recentemente os pagamentos por hora destas empresas e definiu regras, como a obrigatoriedade dos hospitais justificarem o recurso a estes profissionais.
Ajuda aos mais desfavorecidos
As populações mais desfavorecidas vão receber a visita de médicos nas suas residências, numa iniciativa que visa proteger a saúde das crianças e dos idosos e arrancará nos distritos de Lisboa, Setúbal e Porto, anunciou, ainda, a ministra da Saúde. A iniciativa foi acordada entre o ministério que dirige e o da Solidariedade Social e envolve as autarquias e os governos civis.
A primeira fase deste projecto foi a identificação de alguns bairros problemáticos e um dos exemplos do trabalho destas equipas móveis é a realização de uma consulta a todos os recém-nascidos na primeira semana de vida: «Vamos identificar as zonas onde isto é mais importante fazer e apoiar as famílias».
O
trabalho destas equipas móveis de saúde deverá arrancar em Março nos distritos de Lisboa, Setúbal e Porto: «A saúde não é
um problema isolado, mas tem aqui um papel decisivo, porque é a saúde que muitas vezes se apercebe de algumas situações, pelos
maus-tratos, pela fome ou pelo abandono».