O perfil destes criminosos é traçado pela psicóloga criminal Ana Rodrigues, que aponta como mais perigosos para a população os que escolhem as casas particulares para cometer o crime.
A opção por um local completamente desconhecido indica que estes assaltantes, em relação aos outros, são «confiantes» e se sentem mais «seguros consigo próprios», explicou à Lusa a psicóloga criminal.
«Todos os criminosos são perigosos, porque nunca sabemos como vão reagir. A situação de mais tensão é aquela em que eles entram na casa das pessoas, porque estão a entrar num território que não conhecem, estão dentro de quatro paredes e por isso é mais perigoso. Nestas situações é a dinâmica entre a personalidade do indivíduo que está a assaltar e o assaltado que vai determinar o desfecho do acontecimento», explicou Ana Rodrigues.
Os assaltantes mais e menos perigosos
Apesar do perigo, um assalto bem sucedido é sempre aquele em que se consegue o dinheiro sem provocar quaisquer danos. No entanto, um indivíduo com uma personalidade «impulsiva» é sempre mais perigoso.
«É preciso ter mais cuidado, porque é alguém que pode reagir de forma brusca e violenta», explicou a investigadora, lembrando que neste grupo se encontram também os assaltantes de gasolineiras e os jovens adultos do carjacking (roubo de viaturas com violência na presença do condutor). Nesta «tabela», os menos perigosos são os assaltantes de bancos.
A imagem de espaços altamente vigiados e invioláveis faz com que só os mais «estudiosos» arrisquem a sua sorte numa dependência bancária.
«Dos assaltantes, os que escolhem bancos são os que têm mais conhecimentos. Podem não ter grandes habilitações literárias, mas interessam-se e estudam. Claro que normalmente são conhecimentos na área do crime. São por isso mais ponderados», explicou.
Os assaltantes de bancos «têm personalidades bastante vincadas. Acham-se mais inteligentes, espertos e são mais audaciosos, narcísicos e ambiciosos. São detalhistas, dão muito valor ao pormenor para planear o crime para que corra bem e seja proveitoso», explicou.
Para definir o plano e garantir que a operação será bem sucedida, existe um elemento no grupo, o líder, que «planeia tudo com mais pormenor, que distribui as tarefas e que acaba por dar coesão ao grupo», explicou.
«Os impulsivos»
Já os assaltantes de bombas de gasolina e estações de correios são mais «impulsivos», desejam ter resultados mais rápidos e correr menos riscos. Têm uma vida de antecendentes criminais bastante vasta e vivem uma cultura de violência urbana. No entanto, estas são características que atravessam toda a classe de assaltantes.
Segundo Ana Rodrigues, todos eles gostam da adrenalina do risco, não apreciam a ideia de ter uma profissão normal, apesar de estarem na faixa etária produtiva, e por isso dedicam-se exclusivamente a actos criminosos.
Oriundos de meios sócio-económicos baixos, vivem em bairros sociais e têm um acesso fácil a armas que adquirem nos contactos que têm através do submundo do crime.
Os mais novos são apontados como os principais autores de carjacking. Na sua maioria entre os 17 e os 26 anos, são imigrantes de segunda geração influenciados por uma cultura norte-americana em que «tudo pode estar ao nosso alcance e por isso acabam por escolher o caminho mais fácil».
Quando roubam um carro, o objectivo não é magoar ninguém mas sim conseguir um meio de mobilidade para conseguir fazer alguns assaltos.
Todos eles têm um sentimento de impunidade: «Os criminosos
têm a ideia de que ou não são apanhados ou então são mandados para casa com penas suspensas ou pulseira electrónica.