«Acho muito bem que se faça uma auditoria profunda que analise tudo o que está subjacente à sua construção. Todos sabemos que, à época, a empreitada foi lançada para dar cobertura à campanha das autárquicas», afirmou à Lusa Jaime Soares, dirigente social-democrata.
Considerando que aquela obra «não era a que Coimbra necessitava», Jaime Soares salienta que o investimento dava «para fazer quatro ou cinco pontes, nomeadamente uma com envergadura de tráfego que não servisse só a cidade».
O líder distrital dos social-democratas recorda ainda a paragem da obra, suspensa durante cinco meses, entre Novembro de 2002 e Março de 2003, que obrigou à reformulação do projecto de construção, com especial destaque para o reforço do pilar central de sustentação, quando o PSD era Governo.
Governo já está a apurar responsabilidades
O deputado e líder distrital do PS, Vítor Batista, afirmou que «é vantajoso e importante que se esclarecem e apurem as responsabilidades» na construção daquela travessia e se apurem se os «sobrecustos foram com a própria ponte».
«Se o secretário de Estado ordenou o apuramento de responsabilidades é porque entende que deve existir um esclarecimento integral, o que eu considero um acto de coragem, pois nunca se percebeu bem o porquê de tantos atrasos», acrescentou Vítor Batista.
Segundo o Jornal de Notícias, o Governo mantém o processo de apuramento de responsabilidades pela derrapagem financeira no custo da obra, contrariando o anterior presidente da Estradas de Portugal, António Laranjo, que vtinha proposto o seu arquivamento em 2007.
Custo total foi de 111,3 milhões de euros
De acordo com um relatório do Tribunal de Contas de 2004, os trabalhos a mais na construção daquela ponte podem ter chegado a 288 por cento, entre o valor inicial do concurso, de 38,65 milhões de euros, e o investimento final, de 111,3 milhões de euros.
O jornal revela ainda que «já há informação suficiente para apontar culpados e, eventualmente, contabilizar as responsabilidades».
A secretária de Estado das Obras Públicas considera que «se o Instituto Estradas de Portugal decidiu proceder à revisão do projecto da ponte e à alteração do processo construtivo, é porque existem razões objectivas passíveis de uma imputação específica de responsabilidades».
Praticamente todos os intervenientes no processo são criticados em relatórios da sociedade de advogados externos, Tribunal
de Contas e Inspecção-geral das Obras Públicas, que classifica a Ponte Rainha Santa como «um caso exemplar de como não promover
e construir uma obra pública».