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28-08-2008 - 17:37h

Notícias sobre assaltos não aumentam criminalidade

Especialistas consideram que não há ligação entre o número de notícias e o fenómeno

Por: Redacçãoemailmais artigos deste autor / PP
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  • Assaltantes com os reféns na porta do banco

O recente crescimento do número de notícias sobre assaltos não fomenta um aumento da criminalidade defendem professores de comunicação social, embora apontem responsabilidades aos media na actual percepção de maior insegurança no país, escreve a Lusa.

O responsável pelo Gabinete Coordenador de Segurança e Criminalidade, Leonel de Carvalho, considerou, em declarações à TSF, que o facto de os assaltos serem noticiados poderá estar na origem de um eventual aumento destes crimes.

Segundo adiantou, a psicologia humana implica a repetição de determinados hábitos, afirmando que estes crimes «fomentam o sentimento de insegurança das pessoas».

Uma ideia que o professor e investigador na área dos media Francisco Rui Cádima admite ser «do senso comum».

«Sabemos o que se passou quando foi [há dois anos] a corrente de notícias sobre incêncios, houve um aspecto mimético», disse à Lusa, explicando que «as pessoas podem ter propensão para serem estimuladas pelas imagens».

No entanto, rebate, «No caso da criminalidade violenta a questão é diferente».

Criminalidade violenta aumentou
«Já houve dias com mais assaltos»

Embora defenda que devia haver uma «diminuição do tempo de cobertura do "espectáculo" [do assalto ou outro crime]», Rui Cádima considera que «o trabalho de reportagem [destes casos] pode até ser dissuasor», nomeadamente «se incluir a forma e os meios como é exercida a autoridade policial».

Também a professora de jornalismo Felisbela Lopes considera que uma maior divulgação de notícias sobre crimes e assaltos não impulsiona a criminalidade.

Apesar de admitir que os media «não estão isentos de alguma responsabilidade» por a multiplicação de notícias sobre crimes criar uma sensação de maior insegurança, Felisbela Lopes considera que «não se pode falar de aumento de criminalidade».

Posição que reforça com a conclusão a que chegou em 2003, quando a criação do programa «Casos de Polícia», que provocou «uma contaminação nos noticiários», mas que, quando a professora foi consultar os dados do Instituto Nacional de Estatísticas, chegou à conclusão que «um maior número de notícias sobre criminalidade não correspondeu a um aumento da criminalidade».


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