O responsável pelo Gabinete Coordenador de Segurança e Criminalidade, Leonel de Carvalho, considerou, em declarações à TSF, que o facto de os assaltos serem noticiados poderá estar na origem de um eventual aumento destes crimes.
Segundo adiantou, a psicologia humana implica a repetição de determinados hábitos, afirmando que estes crimes «fomentam o sentimento de insegurança das pessoas».
Uma ideia que o professor e investigador na área dos media Francisco Rui Cádima admite ser «do senso comum».
«Sabemos o que se passou quando foi [há dois anos] a corrente de notícias sobre incêncios, houve um aspecto mimético», disse à Lusa, explicando que «as pessoas podem ter propensão para serem estimuladas pelas imagens».
No entanto, rebate, «No caso da criminalidade violenta a questão é diferente».
Criminalidade violenta aumentou
«Já houve dias com mais assaltos»
Embora defenda que devia haver uma «diminuição do tempo de cobertura do "espectáculo" [do assalto ou outro crime]», Rui Cádima considera que «o trabalho de reportagem [destes casos] pode até ser dissuasor», nomeadamente «se incluir a forma e os meios como é exercida a autoridade policial».
Também a professora de jornalismo Felisbela Lopes considera que uma maior divulgação de notícias sobre crimes e assaltos não impulsiona a criminalidade.
Apesar de admitir que os media «não estão isentos de alguma responsabilidade» por a multiplicação de notícias sobre crimes criar uma sensação de maior insegurança, Felisbela Lopes considera que «não se pode falar de aumento de criminalidade».
Posição que reforça com a conclusão a que chegou em 2003, quando a criação do programa «Casos de
Polícia», que provocou «uma contaminação nos noticiários», mas que, quando a professora foi consultar os dados do Instituto
Nacional de Estatísticas, chegou à conclusão que «um maior número de notícias sobre criminalidade não correspondeu a um aumento
da criminalidade».