«Só aparecem estágios remunerados com subsídio de transporte ou alimentação. No máximo pagam 200 euros, mas como moro em Setúbal e as propostas têm sido todas em Lisboa, acaba por ficar mais barato estar desempregado».
Meio a brincar, Tiago diz que nem pede muito, só um emprego na área em que se licenciou, «com um salário razoável». Mas para conseguir o tal emprego, «é preciso ter um a dois anos de experiência, coisas que nós, recém-licenciados, não temos».
«Dizem que tenho qualificações a mais»
Para já, o jovem não tem ficado parado. Inscreveu-se no centro de emprego e chega mesmo a concorrer para outras áreas, mas não tem corrido bem. «Tentei coisas muito diferentes, até escriturário, mas, ou dizem que tenho falta de experiência, ou que tenho qualificações a mais».
Mas não se pode dizer que Tiago não tenha recebido propostas de emprego. «Recebo telefonemas com várias ofertas de empresas de trabalho temporário, mas tenho resistido», conta. «Tenho amigos em call centres e a trabalhar a recibos verdes. Dizem que o salário não é mau, mas não gostam do trabalho e acabam por desistir. Não aguentam o stress, a pressão daquele tipo de emprego».
E a persistência do jovem jornalista parece ter compensado. Pouco antes desta entrevista tinha recebido uma proposta para uma colaboração, em part-time para um jornal local. «Pagam cerca de 200 euros, mas como é perto de casa, não gasto dinheiro com transportes e alimentação. Além disso, é só ao fim-de-semana, por isso, ainda dá para conjugar com mais alguma coisa», explicou sorridente.
«Vivo às custas dos meus pais»
Tiago é um dos milhares de licenciados desempregados em Portugal. Como nem sequer tem direito a subsídio de desemprego, continua a viver «à custa dos pais». Bem gostava de ter uma casa, mas diz que «agora não dá, e se calhar nem poderá ser tão cedo». Para já, vai continuando à procura do primeiro emprego, se possível, na área do jornalismo.
«Querem experiência, mas se ninguém me der uma oportunidade, nunca a vou ter»
Tatiana Oliveira é recém-licenciada. Terminou o curso de Psicologia na Universidade do Algarve em 2007 e regressou à sua Madeira natal. Há quatro meses que procura emprego, mas não tem tido sorte. «Mando currículos, vou a entrevistas, mas pedem experiência, só que se ninguém me der uma oportunidade, nunca a vou ter».
A jovem conta que o problema nem é estar na Madeira. «Tenho colegas de curso que estão no continente e também ainda não arranjaram. É mal geral», explica.
Mesmo a assim, a jovem não se conforma. «É frustrante tirar o curso e não estar a exercer, além disso, chega-se a uma idade em que se quer ter uma casa, alguma independência», conta. Devido a esta situação teve que voltar a viver em casa dos pais, depois de durante a faculdade ter experimentado a sensação de viver fora. «Sinto que estou a retroceder».
Mas,
para já, a jovem conta que não está «desesperada». «Vou continuar a enviar currículos para as empresas à procura de um emprego
na minha área». Enquanto o emprego não chega, Tatiana vai utilizando o tempo para coisas úteis como «tirar a carta de condução»
e ler as respostas às candidaturas de emprego, «dos que respondem, porque há muitos quem nem se dão ao trabalho de responder».