«Há uma grande percentagem de doentes que consegue manter-se activa e que o conseguiria por mais tempo se não fosse impelida muito rapidamente para reformas precoces e desnecessárias», disse à Lusa a presidente da SPEM, Manuela Martins, na abertura do Congresso Nacional da SPEM 2008, que decorre esta quarta e quinta-feira no Fórum Lisboa.
«Porque se houvesse possibilidade de terem tempos de repouso, passar a tempo parcial, de ter adaptações do posto do trabalho, podiam ser úteis à sociedade durante mais tempo e sair mais baratos, porque se a pessoa vai para casa os custos disparam», acrescentou a responsável.
Manuela Martins apontou como principais falhas no apoio aos doentes de esclerose múltipla os serviços de reabilitação e a «filosofia» dos serviços de saúde.
«Em relação a serviços de apoio, estamos muito mal. A reabilitação é muito insuficiente e muitas vezes de pouca qualidade», disse a presidente da SPEM, que acrescentou que «o serviço de saúde ainda está muito vocacionado para os cuidados agudos, ainda está muito centrado no médico e enfermeiro especialista, não está centrado em equipas multidisciplinares». «E numa doença crónica como é a esclerose múltipla isso faz toda a diferença».
Sobre o número de doentes de esclerose múltipla em Portugal, Manuela Martins adiantou que os dados conhecidos têm origem num estudo epidemiológico feito há alguns anos e que apontava para cerca de cinco mil doentes em Portugal.
«Este número está de certeza subavaliado, pensa-se que será superior», declarou, tendo adiantado também
que se acredita que o número de novos casos está a aumentar.