Foi o que fez Daniel Martins, de 35 anos, que emigrou há ano e meio para o Liechtenstein. Levou a mulher, mas deixou a filha. «Fui à procura de melhores condições de vida, que encontrei», disse à agência Lusa, acrescentando que «centenas de portugueses» continuam a procurar o mesmo caminho. «Cada vez há mais emigrantes portugueses a chegar».
Natural de Macedo de Cavaleiros, o emigrante abandonou em Portugal o trabalho na construção civil, mas fundamentalmente «o ordenado baixo que nem sempre era pago a tempo e horas».
Todos os anos repete a viagem ao maior santuário mariano do país, que este ano conta com menos fiéis do que é habitual no dia da peregrinação do Migrante e Refugiado.
«Não vimos por tradição, mas por devoção»
José Feitais, de Vila Real, repete a peregrinação a Fátima desde que há 17 anos procurou em França «uma vida melhor» para si e para a família. Apesar das dificuldades de adaptação - sobretudo na aprendizagem da língua, que assume «apenas arranhar» -, hoje, com 54 anos e reformado por invalidez, continua a trilhar os caminhos de Fátima para pedir «saúde». «Não vimos por tradição, mas por devoção», frisou a mulher do emigrante, Rosa Maria Feitais.
Álvaro Pereira, por seu turno, não esconde que foi o medo da guerra colonial que o chamava que o fez partir há 44 anos de Amarante para França. «Hoje sinto-me dividido», confessou o emigrante de 62 anos, admitindo contudo que o regresso à terra natal se aproxima. Porque o país «está a melhorar».
«Vive-se bem cá», continuou Álvaro Pereira, relutante apenas em deixar a família - filha e neto - que prefere ficar em França.
É também a devoção a Nossa Senhora de Fátima que faz Lucília Cruz regressar, «quase todos os anos», a Portugal e a Fátima.
«Ir a Portugal e não ir a Fátima é como não visitar a nossa mãe»
«Ir a Portugal e não ir a Fátima é como não visitar a nossa mãe», sublinhou a emigrante de 47 anos, comerciante em Caracas, capital da Venezuela. Deixou Aveiro com 27 anos e apenas pede a Nossa Senhora que a «ampare».
O mesmo que deseja o brasileiro José Lima, imigrante em Portugal há oito anos. Metalúrgico de profissão, José Lima confessou: «Sempre me senti bem aqui, nunca fui discriminado. Ganho o mesmo que os meus colegas portugueses e já fui três vezes ao Brasil».
Números e dados
Cerca de cem mil pessoas participaram na eucaristia de encerramento da Peregrinação Internacional Aniversária ao Santuário de Fátima, dedicada ao Migrante e Refugiado, anunciou a instituição.
O número de fiéis corresponde ao da peregrinação de Agosto do ano passado, mas é inferior aos peregrinos que marcaram presença no Recinto a 13 de Agosto de 2006 (120 mil fiéis), acrescentou o Santuário de Fátima.
As cerimónias religiosas foram presididas por D. Zacarias Kamwenho, arcebispo de Lubango, Angola, tendo participado na eucaristia de encerramento das cerimónias religiosas sete bispos e 143 padres. Registaram-se nesta peregrinação 32 grupos estrangeiros, da Alemanha, Brasil, Espanha, Estados Unidos, Filipinas, França, Guadalupe, Irlanda, Itália, Polónia e Reino Unido.
O Santuário de Fátima contabilizou igualmente 6.378 confissões. Já 524 peregrinos recorreram ao lava-pés, 1.004 realizaram promessas e 213 pessoas receberam assistência no posto de socorros.
Nesta peregrinação prestaram serviço voluntário 143 servitas, 37 escuteiros, um médico e quatro enfermeiros.