Esta quinta-feira, num simulacro pensado pela GNR no âmbito do curso de negociadores, a morte de um refém sequestrado num avião foi um insucesso: não foi preservada a vida humana, o principal objectivo de qualquer missão.
O simulacro, que decorreu na base aérea de Sintra, teve como cenário o sequestro de um avião de uma companhia comercial que fazia apenas voos domésticos. Dois sequestradores armados fizeram reféns 13 passageiros - homens e mulheres - e reivindicaram uma viagem para Paris.
Depois de avaliada a situação pela equipa de negociadores (em formação), foi decidido fazer avançar um dos seus elementos, protegido pela Companhia de Operações Especiais (COE) da GNR.
Líbia:
reféns de avião sequestrado libertados
Assalto ao BES: refém questiona sistema de segurança
Foi mantida uma conversa entre negociador e reféns que, no exercício, demorou 10 minutos, mas na realidade pode demorar horas.
Os sequestradores, sempre em tom rude e nervoso, exigem um megafone para comunicar, que lhe é entregue por um robot do Centro de Inactivação de Explosivos da Guarda Nacional Republicana (GNR).
«Este avião vai hoje para Paris. Rebento com isto, vai tudo pelos ares. Olhem que eu sou maluco, vai tudo pelos ares. São surdos?», gritou um dos sequestradores. O ambiente no interior do avião é tenso, ouvem-se gritos, há agressões.
Entretanto, um dos reféns aproveita um momento de distracção dos sequestradores e contacta com um jornalista que está no «teatro de operações» a fazer a cobertura mediática do incidente.
Entre as informações fornecidas ao jornalista e dadas por este ao comandante das operações da GNR no local, sabe-se que existe no avião uma caixa que pode rebentar. É então decidido colocar em alerta máximo os elementos e os robots do Centro de Inactivação de Explosivos.
Por troca com o megafone, os negociadores conseguem que seja entregue um refém.
Porém, e porque ninguém sabe quem está dentro do avião, «quem são os bons e os maus», o refém sai algemado, é posteriormente interrogado e a sua identidade verificada.
«Na dúvida começam todos por ser os maus para posteriormente ser verificada a identidade. Podia dar-se o caso de um sequestrador fazer passar-se por refém», explica o capitão Galvão da Silva, comandante de operações.
Parecia que, após a libertação de um refém, a negociação estava a surtir efeito, mas dá-se um volte-face: uma refém tenta fugir e já no exterior é «morta» por um dos sequestradores. A operação de negociações foi um insucesso.
A partir daqui é altura para avançarem as equipas de intervenção táctica que, rapidamente, libertam os reféns e prendem os sequestradores.
Depois de resgatados os reféns e os sequestradores, o exercício terminou com a intervenção do robot e de um elemento do Centro de Inactivação de Explosivos que tinha como missão desactivar uma mala suspeita colocada no avião.
O curso de negociadores
da GNR começou segunda-feira e foi composto por exercícios em diversos cenários como barcos, aviões, autocarros e instituição
pública. Dos 20 elementos que se candidataram ao curso, apenas cinco chegaram ao fim, depois de terem sido sujeitos a provas
psicológicas.