Jornalista e crítico literário, Torcato Sepúlveda era actualmente editor da NS/Notícias Sábado, revista suplemento do Diário de Notícias.
Antes, foi editor da Cultura do jornal Público, tendo passado igualmente pelas redacções do Semanário, de A Capital e da Grande Reportagem.
O jornalista David Lopes Ramos recordou esta quarta-feira Torcato Sepúlveda, com quem trabalhou no jornal Público, como um «amigo de uma grande cultura literária, com opiniões desassombradas», e uma «pessoa de excessos».
«Tinha um bom coração»
David Lopes Ramos, ex-editor adjunto da Cultura do Público, conheceu Torcato Sepúlveda na Universidade de Coimbra, onde ambos se «empenharam nas lutas contra o regime» de Oliveira Salazar. O amigo voltou a reencontrá-lo no Público.
Hoje, com a voz embargada pelas lágrimas, David Lopes Ramos lembrou, em declarações à Agência Lusa, Torcato Sepúlveda como «um grande amigo, de uma grande cultura literária, muito bem fundamentada e estruturada».
«Tinha opiniões desassombradas, polémicas, um estilo muito próprio», contou, acrescentando que o jornalista era «uma pessoa de excessos, que amou muito, bebeu muito, fumou muito mas tinha um bom coração».
A sua morte foi «verdadeiramente inesperada», confessou David Lopes Ramos.
Depois de ter regressado do exílio na Bélgica, após o 25 de Abril de 1974, Torcato Sepúlveda trabalhou nas limpezas e fez traduções.
Entrou posteriormente como «desk» no semanário Expresso,
de onde saiu para o Público.