«Vamos ter peixe», afirmou o ministro da Agricultura, Desenvolvimento Rural e Pescas, Jaime Silva, no final de uma reunião com a comissária europeia da agricultura, Mariann Fischer Boel, que está em Portugal para recolher informações acerca do sector agrícola nacional, no âmbito da avaliação da Política Agrícola Comum (PAC).
«O sector [das pescas] tem de ser realista e deixar de pescar não vai resolver nada», sublinhou Jaime Silva, recordando que uma das consequências da paralisação é os pescadores ficarem sem salários.
«Não há um braço de ferro entre o Governo e os pescadores», defendeu o responsável, acrescentando que «os pescadores sabem qual é a situação económica do país e que não vamos voltar atrás no esforço que já fizemos para reduzir o défice orçamental».
Paralisação na sexta-feira
As associações de armadores e pescadores decidiram, em consonância com os sectores pesqueiros de Espanha, Itália e França, iniciar uma paralisação total na sexta-feira, por tempo indeterminado, para chamar a atenção dos governos e da União Europeia para as consequências que o aumento do gasóleo está a ter na sua actividade.
Os representantes do sector em Portugal encontraram-se na quarta-feira com o ministro Jaime Silva, mas não obtiveram resposta positiva às suas reivindicações, nomeadamente apoios financeiros para compensar o aumento dos combustíveis.
Actualmente, a agricultura e as pescas beneficiam de isenção do imposto sobre produtos petrolíferos (gasóleo verde), o que se traduz numa redução do preço a pagar em cerca de 50 por cento.
Para Jaime Silva o sector
das pescas tem vários problemas estruturais, e não só relacionados com os custos dos combustíveis, porque «receberam ajudas
durante anos sempre que enfrentavam situações difíceis, ao contrário de Espanha que aproveitou os apoios comunitários para
se modernizar».