A situação foi contada na primeira pessoa ao PortugalDiário, tendo já sido relatada ao Procurador Geral da República, à Ministra da Educação, Inspecção Geral da Educação e Conselho Nacional de Educação. A docente em causa também reportou a situação à PSP e fez exames no Hospital de Santo António e Instituto de Medicina Legal.
«Quando ia a sair da escola, 15 minutos depois do último toque de saída, deparei-me com o portão da escola totalmente aberto e no passeio várias pessoas, entre elas as duas mulheres que me vieram agredir dentro da escola. Uma das agressoras é mãe de dois alunos problemáticos da escola, sendo um deles muito agressivo e tendo ao longo do ano lectivo sido alvo de várias suspensões por agressões a colegas, insultos a professores e outros motivos», contou a professora, relatando que tudo terá começado depois do aluno a ter insultado:
«Disse-lhe que não podia falar assim. Tentou bater-me mas um aluno colocou-se no meio de nós, empurrou-o para trás e disse-me para me ir embora». O aluno em causa tem 11/12 anos.
«As duas mulheres, mãe e filha de 23 anos, entraram na escola aos gritos com insultos e obscenidades e passaram à agressão física, dando-me murros, pontapés e atirando-me ao chão. Eu defendi-me como pude. A filha ainda me fez ameaças de morte», esclareceu a professora, «sem receio de denunciar, porque isto tem de acabar». Fala mesmo na existência de um «gang» na escola, que aterroriza «nomeadamente os outros alunos».
Sentimento de impunidade
A situação apresenta laivos de premeditação. «Soube que a filha da agressora tinha andado à minha procura. Achei estranho ter poucos alunos em área de projecto, mas depois disseram-me que julgavam que eu tinha ido embora porque sabiam que alguma coisa ia acontecer», frisou a docente.
Experiente, diz ter visto «coisas horríveis» noutra escola do Porto onde leccionou e onde chegava a haver agentes policiais dentro do recinto, mas nunca teve problemas. Sente que agora, na EB 2/3 de Paranhos, terá de haver medidas mais interventivas para terminar com a violência.
«A primeira agressão violenta de que me lembro nesta escola foi há dois anos atrás, em que familiares de um aluno entraram na escola com cães considerados de raça perigosa e espancaram o funcionário, deixando-o em péssimas condições, tendo ido parar ao hospital. O referido aluno continuou a frequentar a escola como se nada se tivesse passado e continuou a fazer o que lhe apetecia com impunidade total. Houve denúncias para o Conselho Executivo, mas o nosso esforço foi em vão, porque só no final do ano lectivo é que estes alunos tiveram uma suspensa, leve», conta.
Sem protecção
«Os casos gravíssimos sucederam-se durante todo o ano lectivo, com especial incidência à sexta-feira da parte da tarde, que é o período da semana em que há pouquíssimos professores e um menor número de elementos do Conselho Executivo na escola», refere a docente, registando outros casos de agressões a alunos na estação de Metro.
«Estes alunos agressores passeiam-se pela escola em busca de mais uma briga violenta ou de uma vítima, não cumprindo as regras que são impostas aos outros alunos», vinca, chocada com a sensação de impunidade: «A minha escola não dá protecção ao pessoal docente, funcionários e mesmo aos alunos, uma vez que durante todo o ano houve um número muito elevado de agressões a alunos por parte de grupos de alunos organizados, que são quase sempre os mesmos».