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14-10-2009 - 20:10h

Obras de restauro da Sé de Lisboa embargadas

Em causa estão alegadas irregularidades na recuperação

Redacção / SM
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  • Sociedade

A intervenção de suposto restauro que estava a ser efectuada junto ao portão Norte da Sé de Lisboa foi embargada, disse à Lusa fonte do Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico (IGESPAR).

«A intervenção foi feita à revelia do IGESPAR que, prontamente, através da Direcção Regional de Cultura de Lisboa e Vale do Tejo (DRCLVT), enviou uma brigada e embargou a obra», disse a mesma fonte.

A obra foi mandada executar por um eclesiástico do cabido da Sé, acrescentou.

O embargo foi decidido um dia depois do Ministério da Cultura ter anunciado que a empresa de construção civil Somague irá financair as obras de estauro da Se de Lisboa através do cheque-obra, um sistema em que as companhias que cumprem contratos com o Estado podem aplicar uma parte dos dinheiros públicos que recebem na recuperação de património arquitectónico histórico.

O alerta para as alegadas irregularidades na recuperação foi dado esta quarta-feira pelo Fórum Cidadania que, em nota enviada à imprensa, afirma «que este episódio é sintomático sobre o estado de coisas relativamente ao património arquitectónico do país, e do entendimento que dele fazem os poderes públicos».

«Já não bastava o efeito da poluição e o vandalismo anónimo que continuamente atentam contra o nosso património, para que sejam agora os próprios responsáveis pela conservação dos monumentos nacionais a adulterá-los», lê-se na mesma nota.

A Agência Lusa tentou questionar a DRCLVT sobre os possíveis danos sofridos pela pedra antiga do portal por esta intervenção casuística, não tendo recebido qualquer resposta.

A 27 de Setembro o director do IGESPAR, Elísio Summavielle, afirmou que «o estado global da Sé de Lisboa é de alerta público», mas acrescentou já estar em curso um plano de recuperação.

«A situação da Sé de Lisboa, globalmente, é de alerta público. Não só o Órgão que é importante, mas talvez mais grave é situação do claustro há quase 20 anos, e o estado de abandono a que esteve votado aquele monumento nas últimas duas décadas», disse Summavielle.

O templo de traça românica sofreu várias derrocadas com os terramotos, o mais forte de 1755, e sucessivas reconstruções ao gosto das épocas.


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