António Arnaut exortou 200 jovens médicos que hoje fizeram o «juramento de Hipócrates», em Coimbra, a defenderem as carreiras médicas e o SNS como parte da sua «responsabilidade social» no exercício futuro da profissão.
A abolição das carreiras, com os profissionais do SNS a perderem o vínculo à função pública, representou um «retrocesso de quase 50 anos», disse.
O antigo ministro dos Assuntos Sociais de Mário Soares intervinha no auditório dos Hospitais da Universidade de Coimbra, onde, a convite do Conselho Regional de Coimbra da Ordem dos Médicos, apresentou a oração de sapiência na investidura dos novos médicos licenciados pela Faculdade de Medicina local.
Na sua opinião, o exercício desta profissão «exige um espírito de solidariedade fraterna», que pode passar por «uma palavra amiga de encorajamento» ao doente. A medicina «não é apenas uma ciência», ela é também, segundo o advogado António Arnaut, «um acto de fazer sem olhar a quem» e, de preferência, «sem ter que dizer quanto custam os cuidados prestados». «Só o SNS permite essa disponibilidade de espírito, essa realização humana integral, porque desmercantiliza o acto médico», disse.
Entre as «arremetidas de que o SNS foi vítima» nestes 30 anos de existência, António Arnaut destacou a «a subtracção das carreiras médicas» à função pública e sua substituição pelo contrato individual de trabalho.
Criticou, também, a contratação colectiva dos médicos que venha a avançar através da negociação
com os sindicatos.