O protesto foi convocado pela Internet e pretendia, para além de exercer «uma forma de cidadania», mostrar ao PS que apesar do chumbo previsto no Parlamento, na próxima sexta-feira, onde serão discutidos os projectos de lei que prevêem casamento civil entre pessoas do mesmo sexo, o descontentamento existe, não só entre homossexuais, mas também entre os heterossexuais.
«Se nós somos a favor da liberdade para todos temos que defender aquilo que achamos. Não é só por sermos heterossexuais e por aquilo não nos dizer respeito directamente que temos que fugir com o rabo à seringa e não dar a cara», disse ao PortugalDiário, Ana Rita Gomes, de 16 anos. Na praça do Rossio, estavam jovens de várias idades, homossexuais, mas também vários casais heterossexuais que quiseram demonstrar o apoio aos gays e o descontentamento com a política do Governo.
«Podemos olhar aqui para o lado, em Espanha, onde foi aprovada essa lei, porque houve o Zapatero que se impôs, deu um passo à frente, e podemos ver que em termos de casamento, de valores, não mudou nada», afirmou Tiago de 17 anos.
Gays marcam protesto «flash» pelo casamento
Uma discussão de valores que o primeiro-ministro não quis ter, alegando que o tema não estava na agenda do PS. «É muito bom saber que eu, enquanto homossexual, não sou prioritário para o Governo português», declarou Paulo Vieira de 34 anos.
A não aprovação do PS, assim como o «disparate» da disciplina
de voto são decisões que para estes cidadãos deixam uma marca: «Portugal é muito menos livre porque estamos a falar de muitos
milhares de casais que tem efectivamente que têm os mesmos deveres, que os cumprem, mas que efectivamente não têm os mesmos
direitos».