Na quinta-feira, na cidade espanhola de Zamora, o chefe do Governo português recordou que o caso do empreendimento comercial de Alcochete surgiu na campanha eleitoral de 2005 e «volta agora quando vão novamente ser disputadas eleições».
«Não quero crer que o primeiro-ministro tenha dito isso com segundas intenções, mas, objectivamente, pode ser entendido como uma insinuação sobre a partidarização e politização da investigação», sustentou à Agência Lusa o presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público, António Cluny.
Cluny entende que José Sócrates deve «esclarecer o sentido das afirmações, de que não quis insinuar que a intervenção das autoridades judiciárias, que dependem directamente do procurador-geral da República, tivesse outro objectivo que não a busca da verdade».
Em declarações aos jornalistas, à margem da Cimeira Ibérica, em Zamora, o primeiro-ministro manifestou ainda a esperança de que as autoridades judiciais «façam rapidamente o seu trabalho relativamente ao caso Freeport».
Escusando-se hoje a comentar directamente estas afirmações, o presidente da Associação Sindical dos Juízes Portugueses, António Martins, referiu que «todos os cidadãos têm direito a pedir celeridade à Justiça».
«É um direito que qualquer
cidadão tem de ter. É natural e é legítimo. A Justiça tem de responder com celeridade a todos os cidadãos», insistiu, quando
confrontado pelos jornalistas sobre as declarações do primeiro-ministro, no final de uma reunião com o ministro da Justiça,
em Lisboa, sobre a segurança nos tribunais.