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30-04-2008 - 16:51h

Linha do TGV vai criar «enclaves» em Estarreja

Análise técnica detecta falhas nos traçados propostos pela RAVE

Por: Redacçãoemailmais artigos deste autor / FC
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  • TGV está 15 anos atrasado

Uma análise técnica da Câmara de Estarreja aos traçados propostos pela RAVE para o TGV conclui que a passagem do comboio de alta velocidade terá efeitos negativos no concelho e transformará lugares em verdadeiros «enclaves», informa a agência Lusa.

O documento foi aprovado por unanimidade pela autarquia, que agora o vai remeter ao ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, acompanhado por um pedido de audiência do presidente da câmara, José Eduardo Matos, para o discutir.

A análise técnica aos corredores do TGV sujeitos a medidas preventivas, elaborada pela Divisão de Planeamento e Urbanismo da Câmara, considera que os traçados representam uma «aberração em termos de ordenamento do território». Dos dois traçados propostos, que se desenvolvem quase paralelamente, a solução nascente é considerada como «menos má» para o concelho.

No entanto, conclui o documento, «o concelho de Estarreja, de qualquer das formas, será irremediavelmente penalizado, vendo fortemente condicionadas as suas potencialidades de desenvolvimento e não havendo medidas de minimização suficientes que as compensem de forma eficaz».

A RAVE apresenta uma proposta de traçado a poente da A1, atravessando integralmente o território municipal de Estarreja, nas freguesias de Fermelã, Canelas, Salreu e Beduído e avança, em alternativa, o desenho de um segundo corredor que se desenvolve a nascente da A1, intersectando, a espaços, o concelho e afectando as mesmas cinco freguesias.

A análise técnica aponta como consequências da passagem do TGV por Estarreja, seja qual for o traçado escolhido entre as duas propostas, a destruição de várias habitações, sérias dificuldades à construção de novas habitações e, sobretudo, a divisão de aglomerados urbanos consolidados, criando «enclaves» urbanos. «Os traçados propostos cindem aglomerados consolidados, enclavam lugares entre o IP1/A1 e isolam núcleos urbanos com o IC1/A29», alertam os técnicos.

A devastação de áreas de floresta, de zonas classificadas de Reserva Agrícola Nacional (RAN) e de Reserva Ecológica Nacional (REN) é também evidenciada no documento.

Por atravessarem zonas de forte densidade urbana, os traçados implicam ainda «efeitos negativos sobre investimentos imobiliários, realizados e previstos» e a «significativa penalização das zonas de actividades do município», nomeadamente «pondo em causa um projecto estratégico de desenvolvimento municipal», caso a opção seja pelo corredor poente: a concretização da plataforma logística.


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