O documento foi aprovado por unanimidade pela autarquia, que agora o vai remeter ao ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, acompanhado por um pedido de audiência do presidente da câmara, José Eduardo Matos, para o discutir.
A análise técnica aos corredores do TGV sujeitos a medidas preventivas, elaborada pela Divisão de Planeamento e Urbanismo da Câmara, considera que os traçados representam uma «aberração em termos de ordenamento do território». Dos dois traçados propostos, que se desenvolvem quase paralelamente, a solução nascente é considerada como «menos má» para o concelho.
No entanto, conclui o documento, «o concelho de Estarreja, de qualquer das formas, será irremediavelmente penalizado, vendo fortemente condicionadas as suas potencialidades de desenvolvimento e não havendo medidas de minimização suficientes que as compensem de forma eficaz».
A RAVE apresenta uma proposta de traçado a poente da A1, atravessando integralmente o território municipal de Estarreja, nas freguesias de Fermelã, Canelas, Salreu e Beduído e avança, em alternativa, o desenho de um segundo corredor que se desenvolve a nascente da A1, intersectando, a espaços, o concelho e afectando as mesmas cinco freguesias.
A análise técnica aponta como consequências da passagem do TGV por Estarreja, seja qual for o traçado escolhido entre as duas propostas, a destruição de várias habitações, sérias dificuldades à construção de novas habitações e, sobretudo, a divisão de aglomerados urbanos consolidados, criando «enclaves» urbanos. «Os traçados propostos cindem aglomerados consolidados, enclavam lugares entre o IP1/A1 e isolam núcleos urbanos com o IC1/A29», alertam os técnicos.
A devastação de áreas de floresta, de zonas classificadas de Reserva Agrícola Nacional (RAN) e de Reserva Ecológica Nacional (REN) é também evidenciada no documento.
Por atravessarem zonas de forte densidade urbana, os traçados implicam ainda «efeitos negativos sobre
investimentos imobiliários, realizados e previstos» e a «significativa penalização das zonas de actividades do município»,
nomeadamente «pondo em causa um projecto estratégico de desenvolvimento municipal», caso a opção seja pelo corredor poente:
a concretização da plataforma logística.