O Viagra, medicamento usado para tratar a disfunção eréctil, representou uma «revolução farmacológica» para os homens, uma vez que é um medicamento «altamente eficaz e seguro», mas também uma «revolução sócio-cultural», disse em entrevista à agência Lusa o urologista e sexólogo Nuno Monteiro Pereira, a propósito dos dez anos da entrada do medicamento no mercado português, assinalados esta terça-feira.
«Antes a impotência sexual era para os homens uma verdadeira vergonha que não se confessava nem aos amigos. Viviam amargurados, era um problema de grande infelicidade», contou.
A partir do Viagra (Sildenafil), «o homem passou a encarar a disfunção eréctil não como uma vergonha, mas como uma doença» e passou a procurar ajuda médica, disse Nuno Monteiro Pereira, que fez parte do grupo de médicos que lançou o «comprimido azul» em Portugal.
Segundo o urologista, há cada vez mais homens a procurar ajuda médica para tratar da disfunção eréctil.
Para o sucesso da inicialmente apelidada «pílula da virilidade» contribuiu a sua divulgação, inclusive as anedotas que eram contadas e fizeram «imenso êxito».
Mas a confiança dos portugueses não foi logo conquistada, como contou Monteiro Pereira.
Cerca
de cinco meses depois de ter sido lançado nos Estados Unidos, onde teve um grande impacto, o Viagra foi lançado em Portugal.
A «pílula da virilidade»
«A informação que chegava é que era um medicamento altamente eficaz, de grande popularidade entre os homens norte-americanos, embora houvessem algumas notícias alarmantes de que era um medicamento que tinha causado algumas mortes. E foi neste contexto que foi lançado em Portugal», contou o médico.
Na sequência desta informação, «os homens tinham um bocado de medo e foram precisos dois anos para que acreditassem que o Viagra afinal era seguro», frisou.
Nuno Monteiro Pereira realçou o facto do «comprimido azul» ter sido o primeiro medicamento que tem muito a ver com os mecanismos fisiológicos no sentido que «só actua nas circunstâncias em que é preciso actuar».
Como funciona?
«O homem que toma o medicamento não tem qualquer erecção se não houver desejo e excitação. Sem esses ingredientes o medicamento não faz qualquer efeito», ao contrário de fármacos que existiam anteriormente que, «apetecesse ou não ao homem ter actividade sexual, a erecção aparecia», acrescentou.
Sobre a eficácia do medicamento, o médico disse que, em termos gerais, cerca de 80 por cento dos homens têm «uma resposta sexual eréctil muito melhor».
Além de melhorar a capacidade eréctil, o Viagra apresenta outros benefícios para a saúde, nomeadamente a nível cardiovascular.
«Hoje sabe-se com grande segurança e muita informação de que o Viagra, além da melhoria da capacidade eréctil, também melhora a capacidade arterial do coração e começa-se a perceber que tem algumas vantagens para a próstata», sustentou.
Nuno Monteiro Pereira adiantou que o medicamento pode ter alguns efeitos secundários adversos, mas «nenhum verdadeiramente com gravidade». No Resumo das Características do Medicamento (RCM) estão explícitas algumas advertências, recomendando-se ao médico que considere a situação cardiovascular dos seus doentes, na medida em que «existe um risco cardíaco associado à actividade sexual».
O principal
«calcanhar de Aquiles» deste fármaco é o preço: uma embalagem de quatro comprimidos (deve ser tomado um comprimido uma hora
antes da relação sexual) custa 45,99 euros.