José Sócrates anunciou esta quarta-feira a distribuição de meio milhão de computadores portáteis aos alunos do primeiro ciclo no início do próximo ano lectivo.
Durante a cerimónia de assinatura do protocolo entre o Governo português e a Intel, que viabiliza a constituição de um consórcio maioritariamente português que vai fabricar computadores portáteis «Magalhães», o chefe do Governo sublinhou que esta iniciativa tem como objectivo contribuir «para a dinamização da economia nacional numa área estratégica ao nível das novas tecnologias».
Crianças mais necessitadas «não pagarão nada»
O computador, denominado «Magalhães», em homenagem ao navegador Fernão de Magalhães, é o primeiro portátil que vai ser totalmente produzido em Portugal. Destina-se a crianças do primeiro ciclo e custará no máximo 50 euros.
«O Governo estendeu o programa e-escola ao e-escolinha e assim sendo as crianças que se encontram dentro do escalão A não pagarão nada, sendo que as do escalão B pagarão apenas 20 euros. Já as famílias sem acção escolar pagarão 50 euros», referiu o primeiro-ministro aos jornalistas.
Magalhães é à prova de água e choque
Este pequeno portátil azul e branco, que será produzido na nova fábrica de computadores projectada pela multinacional Intel e pela portuguesa JP Sá Couto, em Matosinhos, vai permitir criar cerca de mil novos postos de trabalho.
Além disso, conta com acesso à Internet, possui memoria RAM, processador da Intel e cerca de 6 horas de bateria. É ainda dotado de um software de última geração, adequado às capacidades das crianças entre os 6 e os 10 anos. Por isso mesmo, será resistente ao choque, à água e aos líquidos em geral.
Sócrates adiantou, ainda, que as primeiras entregas para quem se inscreveu vão decorrer já em Setembro e que tudo será tratado no seio das escolas. Os pais que requerem mais uma ligação-para quando as crianças sairem da escola e forem para casa-também o poderão fazer, junto dos operadores, a custos reduzidos.
80 milhões de euros
A produção do «Magalhães» terá para já um custo superior a 80 milhões de euros. Isto porque o custo de produção de cada um dos quase 500 mil será de 180 euros.
A garantia foi dada pelo primeiro-ministro, José Sócrates, que garantiu ainda que «numa fase inicial, em Setembro, o computador terá 30% de incorporação nacional, mas o objectivo é que, no final deste ano, esteja já nos 100%», disse à margem da cerimónia de apresentação da nova iniciativa.
«A diferença entre o custo de produção e o preço final deste computador portátil será suportada pelo Estado e pelas entidades privadas envolvidas no projecto», avançou ainda.
A
verdade é que parte dos custos que vai caber ao Executivo dependerá dos contratos de ligações à Internet que os operadores
de telecomunicações (PT, Vodafone, Zon e Sonaecom) venham a alcançar.