A poupança resulta de a AR passar a ter um directório único e não os actuais seis, segundo afirmou o director do centro de informática da Assembleia, João Viegas, na reunião da comissão parlamentar de Ética.
O documento indica a contratação de menos 40 licenças da Microsoft, com uma poupança estimada de cerca de 33 mil de euros, e a contratação de menos 25 licenças de outras marcas, que representa menos cerca de 29 mil euros por ano.
O presidente do conselho de administração da AR, José Lello, destacou uma poupança global de 262 mil euros por ano com o novo sistema informático.
Este número inclui 180 mil euros de «hardware» e 20 mil euros de manutenção, valores que a AR despendia e que deixará de suportar com o novo sistema, segundo os números apresentados.
A AR pagará cerca de 292 mil euros em licenças da Microsoft e cerca de 51 mil euros em licenças de utilização de outros produtos, de acordo com o relatório.
O novo sistema informático estará em funcionamento no hemiciclo renovado «durante o mês de Março», assegurou o presidente do conselho de administração da AR, José Lello.
«Podia ter-se reduzido mais»
Na reunião, o deputado do PCP João Oliveira questionou a administração da AR sobre a razão de não se ter optado pela instalação de programas de software livre «para obviar aos custos da utilização de software proprietário». «Foram reduzidas 65 licenças mas podia ter-se reduzido mais», disse.
Em resposta à pergunta do deputado comunista, o director do centro de informática da AR, João Viegas, afirmou que «até ao momento a bancada do PCP foi a única a manifestar de forma concreta a vontade de ter a opção de software livre nos postos de trabalho».
«Os outros grupos disseram de forma clara e precisa que querem continuar a utilizar o Windows Vista», acrescentou, frisando que apesar disso continua a haver a possibilidade de ter os dois sistemas.
João Viegas adiantou que as licenças de software contratadas dão para «cerca de mil postos de trabalho».
A Assembleia da República aprovou em 2007, por unanimidade e com alterações do PS, PSD e CDS-PP, uma resolução proposta pelo PCP que recomendava medidas com vista à utilização de software livre na AR.
O deputado José Lello frisou que a resolução aprovada, e à qual os serviços informáticos da AR reclamam ter dado seguimento, permite que «cada grupo parlamentar opte pela modalidade que entende».
Quanto aos serviços da Assembleia da República, José Lello disse que continuam a usar software proprietário.
«O Linux [um exemplo de software livre] não apresenta soluções que resolvam todas as necessidades» dos serviços, disse. «A utilização de software livre é também ela livre», defendeu.
Ecrã táctil
José Lello assegurou que as obras no Parlamento terminarão em breve e que «durante o mês de Março» os deputados regressarão ao hemiciclo já com o novo sistema informático a funcionar.
O deputado disse na reunião que os deputados vão ter um cartão único «com um chip incorporado com potencialidades para identificação, autenticação e acesso à assinatura digital». «Acabam-se as filas para assinar o livro de presenças», disse.
Os 230 deputados vão
dispor de um computador por posto de trabalho, «com ecrã táctil para as votações», disse.