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08-02-2010 - 13:48h

Ciência e investigação podem ajudar Portugal

Ministro da Ciência quer mais intercâmbios com Portugal

Redacção
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  • Mariano Gago

O ministro da Ciência, Mariano Gago, afirmou esta segunda-feira que a ciência e a investigação têm um contributo vital para o aumento da competitividade e da produtividade, num esforço para saída da crise.

Em entrevista à Lusa a propósito da reunião informal dos ministros Europeus da Competitividade, que decorre a partir desta segunda-feira na cidade espanhola de San Sebastian, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior insistiu que devem redobrar-se os esforços para incorporar a ciência e tecnologia nos processos produtivos, capitalizando assim nas mais valias europeias.

«A Europa tem hoje activos importantes nesta área», explicou Gago, recordando que o segundo dia do encontro de San Sebastian será dedicado à expansão do uso dos carros eléctricos na Europa.

Um sector onde a investigação e a tecnologia europeias têm sido «decisivas», como ocorre ainda em áreas como as energias renováveis, criando produtos de importância estratégica tanto para a Europa como para o resto do mundo.

A primeira sessão de debate, esteve já concentrada na resposta à crise económica e em particular «no papel da ciência e investigação» nesses esforços de retoma económica.
«Hoje, muito do debate tem a ver com reafirmar a enorme importância para a saída da crise que é o aumento da competitividade e produtividade das empresas», disse.

«E isso só se consegue atingir com um aumento muito significativo da incorporação do conhecimento e de ciência e tecnologia nos processo produtivos», considerou ainda.

Para que essa vontade se materialize, Mariano Gago considera que deve ser feita uma «aposta muito deliberada» em recursos humanos, educação, informação e investigação».
«Isso implica um reforço das universidades e das redes de universidades, tanto à escala europeia e implica naturalmente um reforço da cooperação internacional entre universidades e empresas à escala», disse ainda.

Em debate em San Sebastian está também a questão da partilha e da cooperação no desenvolvimento de grandes infra-estruturas de investigação a nível europeu.

«A época das grandes infra-estruturas estritamente nacionais acabou. Hoje qualquer país, mesmo que tenha capacidade financeira para criar novas infra-estruturas, aposta na colaboração», afirmou.

Mariano Gago recorda ainda que a mobilidade científica é já bastante significativa, notando porém que ainda há que resolver alguns obstáculos, como as questões da reforma e da segurança social.

«O objectivo é permitir desenvolver carreiras científicas em vários países ao longo de uma carreira. Isso implica acordos de estabilidade em questões de reformas e segurança social», disse.

Intercâmbios com Portugal

Nesse sentido, Portugal e o Luxemburgo apresentaram já uma proposta para que o tema seja discutido por ministros da Ciência e dos Assuntos Sociais numa reunião em Março.

Também no caso português Mariano Gago sublinha haver grande mobilidade, com uma relação «muito equilibrada» entre Portugal e os outros países no que toca a intercâmbios de cientistas.

«É bom que haja portugueses noutros países, desde que haja cientistas estrangeiros a vir para Portugal», disse, notando que nos últimos anos se tem consolidado a percentagem de especialistas estrangeiros recrutados através de concursos públicos para cargos em Portugal.
«Nos últimos 2 anos, nos concursos para jovens investigadores doutorados lançados a escala nacional - para ocupar 1.200 vagas - 40 por cento dos recrutados não são portugueses», explicou.

«Portugal é um pais que estava muito atrasado cientificamente há 30 anos, que se desenvolveu muito rapidamente e até contra algumas expectativas europeias e que atingiu níveis de desenvolvimento científico que em alguns casos superam a média», afirmou.




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