Em entrevista à Lusa a propósito da reunião informal dos ministros Europeus da Competitividade, que decorre a partir desta segunda-feira na cidade espanhola de San Sebastian, o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior insistiu que devem redobrar-se os esforços para incorporar a ciência e tecnologia nos processos produtivos, capitalizando assim nas mais valias europeias.
«A Europa tem hoje activos importantes nesta área», explicou Gago, recordando que o segundo dia do encontro de San Sebastian será dedicado à expansão do uso dos carros eléctricos na Europa.
Um sector onde a investigação e a tecnologia europeias têm sido «decisivas», como ocorre ainda em áreas como as energias renováveis, criando produtos de importância estratégica tanto para a Europa como para o resto do mundo.
A primeira sessão de debate, esteve já concentrada na resposta à crise económica e em particular
«no papel da ciência e investigação» nesses esforços de retoma económica.
«Hoje, muito do debate tem a ver com reafirmar
a enorme importância para a saída da crise que é o aumento da competitividade e produtividade das empresas», disse.
«E isso só se consegue atingir com um aumento muito significativo da incorporação do conhecimento e de ciência e tecnologia nos processo produtivos», considerou ainda.
Para que essa vontade se materialize, Mariano Gago considera que deve ser feita
uma «aposta muito deliberada» em recursos humanos, educação, informação e investigação».
«Isso implica um reforço das
universidades e das redes de universidades, tanto à escala europeia e implica naturalmente um reforço da cooperação internacional
entre universidades e empresas à escala», disse ainda.
Em debate em San Sebastian está também a questão da partilha e da cooperação no desenvolvimento de grandes infra-estruturas de investigação a nível europeu.
«A época das grandes infra-estruturas estritamente nacionais acabou. Hoje qualquer país, mesmo que tenha capacidade financeira para criar novas infra-estruturas, aposta na colaboração», afirmou.
Mariano Gago recorda ainda que a mobilidade científica é já bastante significativa, notando porém que ainda há que resolver alguns obstáculos, como as questões da reforma e da segurança social.
«O objectivo é permitir desenvolver carreiras científicas em vários países ao longo de uma carreira. Isso implica acordos de estabilidade em questões de reformas e segurança social», disse.
Intercâmbios com Portugal
Nesse sentido, Portugal e o Luxemburgo apresentaram já uma proposta para que o tema seja discutido por ministros da Ciência e dos Assuntos Sociais numa reunião em Março.
Também no caso português Mariano Gago sublinha haver grande mobilidade, com uma relação «muito equilibrada» entre Portugal e os outros países no que toca a intercâmbios de cientistas.
«É bom que haja
portugueses noutros países, desde que haja cientistas estrangeiros a vir para Portugal», disse, notando que nos últimos
anos se tem consolidado a percentagem de especialistas estrangeiros recrutados através de concursos públicos para cargos em
Portugal.
«Nos últimos 2 anos, nos concursos para jovens investigadores doutorados lançados a escala nacional - para
ocupar 1.200 vagas - 40 por cento dos recrutados não são portugueses», explicou.
«Portugal é um pais que estava muito atrasado cientificamente há 30 anos, que se desenvolveu muito rapidamente e até contra algumas expectativas europeias e que atingiu níveis de desenvolvimento científico que em alguns casos superam a média», afirmou.